Já não bastava levarem na corneta quando os preços sobem, agora também levam na corneta quando os preços descem.
Mas não há maneira de fechar essa coisa dos mercados e anunciar os preços por decreto?
terça-feira, 26 de abril de 2011
Pobres especuladores
segunda-feira, 4 de abril de 2011
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Gozar com os ursos
Esperava um rally de Natal mas não esperava que os media gozassem com os ursos.
Se o topo não está feito, não deve faltar muito.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Falta-lhe vergonha (II)
What’s so troubling about the Sunday interview is that it wasn’t Bernanke, the media-shy economist, talking. It was a politician attempting to bolster confidence in his constituents and support for his policies. That’s not an ideal character trait for a central banker at a time when official interest rates, already close to zero, can only go up.
Na Bloomberg, um local estranho para ver críticas ao presidente da FED. Felizmente ainda apoiam as suas estratégias, é apenas uma questão de estilo.
Bernanke foi também tema no Daily Show. Claro que não seria John Stewart sem nos alarmar para o "problema" do aquecimento global.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Falta-lhe vergonha
O presidente da Reserva Federal dos EUA esteve esta semana no famoso 60 minutes. Houve uma altura em que este programa era reconhecido pela sua qualidade jornalística, mas essa altura não é agora.
Algumas perguntas e respostas:
Q: Many people believe that could be highly inflationary. That it’s a dangerous thing to try
A: Well, this fear of inflation, I think is way overstated. we’ve looked at it very, very carefully. We’ve analyzed it every which way. One myth that’s out there is that what we’re doing is printing money. We’re not printing money. The amount of currency in circulation is not changing. The money supply is not changing in any significant way. What we’re doing is lowering interest rates by buying treasury securities. And by lowering interest rates, we hope to stimulate the economy to grow faster. So, the trick is to find the appropriate moment when to begin to unwind this policy. And that’s what we’re going to do.
Pergunta inocente que deveria ter sido perguntada pelo jornalista: E estão a comprar dívida pública com o quê? Ar quente? Ou será que estão a criar dinheiro para o fazer?
Q: Can you act quickly enough to prevent inflation from getting out of control?
A: We could raise interest rates in 15 minutes if we have to. So, there really is no problem with raising rates, tightening monetary policy, slowing the economy, reducing inflation, at the appropriate time. Now, that time is not now.
Q: You have what degree of confidence in your ability to control this?
A: One hundred percent.
A "tragédia" de 2008 não lhe ensinou nada. Continua a achar que a economia se comporta conforme os butões que ele decide pressionar. Eu por mim não tenho dúvidas que ele consegue subir as taxas para 10 ou 15 por cento se lhe apetecer... a minha questão é simplesmente se nessa altura vai ser suficiente para conter os estragos feitos.
Q: Do you anticipate a scenario in which you would commit to more than 600 billion?
A: Oh, it’s certainly possible. And again, it depends on the efficacy of the program. It depends, on inflation. And finally it depends on how the economy looks.
Q: How would you rate the likelihood of dipping into recession again?
A: It doesn’t seem likely that we’ll have a double dip recession. And that’s because, among other things, some of the most cyclical parts of the economy, like housing, for example, are already very weak. And they can’t get much weaker. And so another decline is relatively unlikely. Now, that being said, I think a very high unemployment rate for a protracted period of time, which makes consumers, households less confident, more worried about the future, I think that’s the primary source of risk that we might have another slowdown in the economy.
Este conjunto de perguntas é bastante interessante. Além da confiança em si próprio que é muito elevada, na minha opinião, para quem achava em 2007 que não havia ameaça nenhuma à economia e para quem, em 2008, achava que o problema imobiliário estava "contido" mas enfim. Convém ver o argumento interessante de que pode imprimir mais notas porque o problema é a deflação mas quando lhe perguntam se poderá haver um "double dip" ele diz que não porque "já desceu muito".
É ridículo, primeiro porque se comporta como um maléfico especulador (não faz mais do que emitir opinião pessoal sobre o preço actual das casas, parece que estou a ver um novato na bolsa a comprar PT Multimédia a 15€ porque "já desceu muito"). Mas mais importante contradiz-se a si mesmo... se as coisas "já desceram demasiado" então para quê imprimir mais notas? Não basta a FED estar quieta?
Ben Bernanke ou é idiota ou é mentiroso. Especulo eu que é aldrabão.
Q: The gap between rich and poor in this country has never been greater. In fact, we have the biggest income disparity gap of any industrialized country in the world. And I wonder where you think that’s taking America.
A: Well, it’s a very bad development. It’s creating two societies. And it’s based very much, I think, on– on educational differences The unemployment rate we’ve been talking about. If you’re a college graduate, unemployment is five percent. If you’re a high school graduate, it’s ten percent or more. It’s a very big difference. It leads to an unequal society and a society– which doesn’t have the cohesion that– that we’d like to see.
Perguntaram-lhe sobre a desigualdade salarial e ele falou sobre taxas de desemprego (aldrabadas). A pergunta que o jornalista devia ter feito era muito simples: A sua política monetária está a beneficiar certas pessoas (aka serviços/instituições financeiras) à custa de outras (aka quem trabalha) ?
Mas isto a escola de jornalismo não dá para mais...
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Sobe, sobe balão sobe
Uma imagem vale mil palavras:
E porquê este post? Porque andavam por aí aqueles senhores que dizem que são jornalistas a implicar que os juros tinham subido a semana passada porque os especuladores estavam todos curtos na dívida pública e que depois do leilão de quarta-feira os juros iam descer logo a seguir.
É verdade que alguns traders de curto prazo aproveitam as intervenções do BCE para ganhar algum dinheiro e que a altura dos leilões de dívida pública é propicia a estas coisas mas como se pode ver no gráfico a tendência é a mesma.
PS: Entretanto já batemos o record anterior. De certeza que haverá aí uns jornalistas a dizer que são boas notícias isto de bater records.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Pedido de ajuda
Alguém me ajuda a esclarecer esta notícia?
Baseado no relatório do Banco de Portugal publicado ontem o "jornalista" chega à conclusão que a "dívida de Portugal ao exterior cai de forma histórica".
Ora sigam lá comigo este raciocínio comigo na página 2 do PDF linkado.
Dívida Externa Líquida aumentou de 144651 para 147928, ou seja, um aumento em 3.2 mil milhões de euros. Confusos com o título da notícia? Também eu. Analisando melhor os números parece que o que diminui em 3.6 mil milhões de euros foi a posição total de investimento em Portugal. Mas vamos ver melhor o quadro visto que este número é afectado por várias coisas, como por exemplo a valorização das nossas reservas de ouro em 2.8 mil milhões de euros. Quer dizer então que o investimento bruto reduziu em 6 mil milhões de euros certo?
Errado.
Vejamos a parte final do relatório que fala das posições dos investidores: Se não contarmos com as "Autoridades monetárias" (aka BCE) podemos ver que as posições caíram em 29 mil milhões de euros desde o trimestre anterior enquanto o BCE colocou à disposição 25.4 mil milhões (a diferença são os 3.6 mil milhões referidos no artigo).
Ora, alguém me explique uma de duas coisas:
1) Onde é que está a falhar a minha interpretação do quadro?
2) Como é que fugirem 29 mil milhões do país, ao ponto de forçar o BCE a intervir, se transformou numa notícia positiva?
Nota: Para quem quiser fazer as mesmas contas que eu, este XLS ajuda.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Plano Inclinado
Medina: "Temos que nos adaptar ao mundo que é."
Carvalho da Silva: "Eu tenho de viver no mundo em que estou, não é «adaptar»..."
Estamos conversados por hoje.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Rádio Europa
Esta tarde, às 18h00 estarei com o André, a Antonieta Lopes da Costa e com o Nuno Amaral Jerónimo na Rádio Europa (90.4 FM) a conversar sobre os seguintes temas da actualidade:
1) Revisão Constitucional – O PSD divulgou esta semana o seu anteprojecto de revisão constitucional, relativamente ao qual o PS manifesta fortes reservas. Vamos ter um Outono quente?
2) Cavaco em Angola – Cavaco Silva visitou esta semana Angola, realçando a importância estratégica que aquele país representa para Portugal. O Estado angolano prometeu, por seu lado, pagar as dívidas que tem para com as empresas portuguesas.
3) Combate à pobreza – De acordo com o Jornal de Negócios, o grupo anti-pobreza, World Development Movement, pediu ao regulador do mercado financeiro britânico que terminasse com a especulação que provoca a subida do preço dos alimentos. Será este o melhor caminho para acabar com a pobreza?
4) Festivais de Verão – Com Prince como cabeça de cartaz, os festivais de Verão varreram o país e prometem outros espectáculos para Agosto. Será este um mercado com pernas para andar?
O “Descubra as Diferenças”, pode ser ouvido hoje às 18 horas e no Domingo, dia 25 de Julho, às 19. Tem podcast disponível e é também transmitido pela Rádio Universitária de São Paulo, no Brasil.
“Descubra as Diferenças”… Um programa de opinião livre e contraditório, onde o politicamente correcto é corrido a quatro vozes e nenhuma figura é poupada. No final de cada emissão, fique para ouvir a já clássica “cereja em cima do bolo”: uma música, em irónica dedicatória, ao político/figura/situação em destaque na semana.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Cada vez mais nojento
Mais um péssimo editorial do Jornal de Negócios a tentar colocar as culpas de todos os males em cima dos "especuladores".
Revela não só popularismo (normal em quem tenta vender jornais) mas acima de tudo ignorância dos instrumentos financeiros que aborda, o que devia ser impossível num jornal que se diz especializado.
Que interesses tenta servir esta coluna? Esclarecer o público não é certamente.
sexta-feira, 19 de março de 2010
Um pequeno passo
É realmente um pequeno passo, mas já é alguma coisa. A justiça declarou hoje que a Reserva Federal tem de fornecer os documentos pedidos pela Bloomberg que identificam as empresas financeiras que teriam aberto falência sem a intervenção do banco central norte-americano em 2008.
Nada é ainda definitivo, a FED vai voltar a recorrer desta vez para o Supremo Tribunal de Justiça.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
O Euro, a Grécia e o colapso (III)
Isto já é bad press a mais. Está na hora de fechar os curtos e esperar pelos próximos episódios.
Quando estive na Alemanha, já lá vão 4 anos e a economia parecia saudável, notei nos meus colegas algum recentimento para países como Portugal. Não só eles achavam que estavam a ser taxados injustamente para financiar a UE, sentiam que além de não terem retorno estavam a perder empregos para estes países.
Estas capas recentes sugerem que esse sentimento deve ter crescido. É mais que certo que Angela Merkl vai passar um mau bocado se tentar salvar a Grécia com o dinheiro dos contribuites alemães.
Tradução livre da capa da Focus:
"Aldrabões na zona euro - Os gregos destroiem o nosso dinheiro. O que será de Portugal, Itália e Espanha?"
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Jovem...
És ignorante? Burro que nem uma porta? Sabes ao menos ler e escrever?
Se respondeste que sim às perguntas anteriores então vem trabalhar connosco no Correio da Manhã onde terás toda a liberdade de dizer barbaridades como "Os especuladores internacionais desencadearam um ataque cerrado à dívida pública portuguesa para obterem lucros a curto prazo". O Estado, claro, não tem nada a ver com isto. É tudo uma conspiração maléfica dos "especuladores", porque sem contar com esses anda tudo doido para comprar dívida portuguesa... não percam o CM de amanhã onde vai ser explicado este grande investimento.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Comentário ao editorial do i
O jornal i tem hoje uma edição dedicada ao buraco orçamental. Começa com o editorial e tem depois, nas páginas mais centrais um aprofundamento do assunto. Infelizmente o editorial começa logo mal com uma frase errada "Os estados não vão à falência".
Eu espero que esta afirmação seja corrigida brevemente. O site da Moodys tem 12 falências soberanas entre 1998 e 2006:
1) Paquistão (98)
2) Russia (98)
3) Ucrania (98 e 2001)
4) Venezuela (98)
5) Equador (99)
6) Peru (2000)
7) Argentina (01)
8) Moldávia (01)
9) Uruguai (03)
10) Republica Dominicana (05)
11) Belize (06)
São países que se calhar passam desperbidos mas continuam a ser estados e continuaram a falir. Ainda há 1 ano a Islândia esteve nas noticias e não sei como é possível esquecer tão cedo. Muitos outros nomes há a acrescentar à lista que dei se recuarmos mais uns anos no tempo (a Argentina tem a mania de declarar falência ciclicamente por exemplo) mas infelizmente não tenho tempo suficiente para uma lista mais exaustiva.
E se o argumento é que "não pode acontecer aqui" em 1971 os EUA também entraram em incumprimento com as suas obrigações (o que levou à criação do actual sistema monetário)... quer-me parecer que pode mesmo acontecer em qualquer lado.
Mas mais importante que isto, é que passando uma mensagem de que "os Estados não vão à falência" então os portugueses não percebem qual é o problema com o défice e irão manter-se na ilusão que o Estado é uma fábrica de riqueza. Afinal de contas, quando faltarem as notas manda-se fazer mais.
Nota: Segundo a Standard & Poors houve 84 estados em incumprimento das suas obrigações entre 1975 e 2002.