domingo, 28 de setembro de 2008

Nacionalizações alastram à Europa

O Reino Unido, outrora visto como o único país Europeu com respeito pelos mercados livres acaba de nacionalizar mais uma empresa (já tinha nacionalizado a Northen Rock o ano passado) segundo nos reporta a Bloomberg.

Desta vez é a Bradford & Bingley Plc que não surpreendetemente era uma das maiores empresas a emprestar dinheiro aos proprietários de casas nos Reino Unido.

As massas continuam a aplaudir os "esforços" dos Governos em "salvar" o sistema, concentrando cada vez mais poder politico e económico demonstrando que a unica coisa que aprendemos com a história é que não aprendemos com a história.

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quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Prata - Anomalia no mercado? (parte III)

Os que me acompanham regularmente sabem bem que recomendo a compra de ouro e prata física como protecção de riqueza contra a irresponsabilidade dos Estados e dos Bancos Centrais mundiais que não param de injectar liquidez nos mercados.

Já tinha aqui descrito (na parte I e II em Agosto) que existe uma divergência entre o mercado de "prata-papel" (futuros, ETFs, spot, etc.) e o mercado "normal" de rua onde se pode ir à loja e comprar prata directamente.

Felizmente não fui o único a reparar que o mercado de papel e o mercado físico estão em completa divergência e que um destes mercados tem de estar errado (assunção minha que é o de papel que está errado) e a CFTC vai lançar uma operação de investigação sobre a operação dos dois bancos que estão a vender curto 25% da produção mundial (anual) de prata.

Não que espere grandes conclusões mas ficarei a aguardar o relatório com curiosidade.

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A escola (III)

Li esta segunda feira no jornal Metro que a Confederação Nacional de Associações de Pais vai reunir para discutir qual a utilidade dos exames nacionais nas escolas.

Parece que os filhos coitados não conseguem passar com muito boas notas. Obviamente a culpa é dos exames, os filhos não podem ser estupidos porque saiem aos pais. Esta gente que se prepara para condenar o ensino publico a uma mediocridade ainda maior que a actual é a mesma gente que me vai forçar a meter o meu filho no ensino privado onde ainda haja um mínimo de padrões de qualidade que lhe dêm acesso a uma educação decente depois de destruírem o ensino publico.

E o cómico é que esta mesma gente vai ser quem vai criticar o meu filho por ser de "familias ricas" e que tem uma "vantagem desleal" no acesso ao mercado de trabalho. É esta gente que me dá vómitos e me tira o sono.

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Revolta!

Ler Ayn Rand é algo que nunca tinha experimentado. É algo novo que não consigo descrever concretamente, é um sentimento de descoberta como se sempre tivessemos sabido que algo de errado estava a acontecer no mundo mas so agora descobrimos concretamente o quê. É um sentimento de tristeza ao vermos o que realmente nos rodeia.

Quando tentei descrever este sentimento a um amigo lembrei-me de uma analogia muito simples com o filme Matrix. É como quando Morpheus nos dá a escolher entre o comprimido vermelho e o azul. Nós, claro, escolhemos o vermelho porque queremos saber tudo e mais alguma coisa e depois passamos a vida a torturar-nos "porque é que não escolhi o azul" ao percebermos as consequências de tudo o que vemos de novo no mundo... "ignorância é felicidade".

Vemos nas nossas empresas o triunfo da mediocricidade sobre a pró-actividade e o empreendorismo. Vemos no estado não uma entidade abstracta que nos (des)governa mas sim realmente os desejos mais intimos das pessoas. Têm vergonha de o admitir em publico mas na verdade todos querem algo em troca de nada. Ainda hoje me disseram "não protesto contra a Via do Infante porque uso muito a ligação à Covilhã", ou seja, não me importo que um alentejano seja expropriado para pagar uma auto-estrada que não uso porque sei que ele vai ser roubado novamente para pagar uma que vou usar.

E depois falam-me da moralidade. Como é moral tributar os cidadãos porque "o país não funciona sem transportes publicos". Como é imoral não querer pagar impostos para contribuir para "o bem comum" ... esse bem abstracto que consiste em atribuir subsidios "a quem mais precisa".

O desvirtuamento completo na nossa Assembleia da Republica da história de Robin dos Bosques em que o nosso primeiro ministro nos lembra que ele "roubava aos ricos para dar aos pobres". O povo adora, é isso que queremos... queremos o dinheiro dos ricos porque é necessário ao "bem comum". Como a comunicação social aplaude... sentir que sou a unica pessoa neste país indignada por uma história cheia de justiça ser roubada por um politico e adulterada para efeitos eleitorais. Já ninguém se lembra mas o verdadeiro Robin dos Bosques roubava os ladrões, o Xerife de Nothingham que era na verdade um ladrão (não era um rico qualquer) e que impunha decretos para roubar o produto do trabalho do seu povo. Robin dos Bosques roubava a um ladrão não para dar aos pobres mas para devolver a riqueza aos produtores da sociedade. Já o disse e volto a dizer, se Robin dos Bosques fosse escrito hoje, João Pequeno seria descrito como um parasita da sociedade que se recusava a pagar impostos para o bem comum.

Vemos ilusões vendidas pelos bancos, patrocinadas pelo Governo e empolgadas pelos media. Mas não faz mal porque é uma ilusão que as massas querem comprar. Vende-se a ilusão de que qualquer um pode ter uma casa, não interessa os rendimentos.

Anuncia-se a manipulação das taxas de juro a 2% para nos endividarmos de forma barata e quando corre mal colocamos os banqueiros nacionais na televisão a explicarem-nos que a divida não faz mal porque a divida é "Uma poupança futura" (Fernando Ulrich em Grande Entrevista).

Vemos o aumento dos subidios e abonos porque é isso que no fundo queremos... algo por nada. Vemos a descapitalização das empresas e o aumento do desemprego mas não faz mal porque é isso que queríamos, um bom subsidio para não produzir. Vemos o dinheiro a ser criado a partir do nada para pagar todos estes subsidios, vemos a inflação ameaçar todas as nossas poupanças e as reformas próprias de quem depende de um rendimento fixo e de quem poupou o pouco que tinha durante toda a sua vida. Mas não faz mal porque há mais notas para toda a gente... o povo gosta e o povo merece. Ninguém percebe que não é um pedaço de papel emitido por qualquer banco que cria riqueza mas apenas o produto do trabalho... e emitem-se mais bocadinhos de papel porque é isso que queremos: papel... algo em troca de nada.

Vemos a ignorância e a mediocricidade a triunfar um pouco por todo o lado... vemos que os poucos que produzem acabam por ser nivelados por baixo, reduzidos à incompetência daqueles que os rodeiam. Vemos tudo isto e achamos tudo normal, vemos a riqueza evaporar e perguntamo-nos porque tudo está mais caro, porque é os pequenos papeis que nos deram em troca da nossa preguiça compram tão pouco? E a culpa é atribuida imediatamente à ganância dos poucos que ainda produzem.

Eu só não vejo é a razão de porquê ainda haver alguém que produza... para quê? Para quê continuar a ser tributado quando podemos ter um subsidio isento de IRS? Para quê produzir se o estado me vai dar o produto do trabalho dos outros? Para quê investir se o que ganhar vai ser diluido pela criação de papel pelos bancos centrais? Para quê lutar contra a mediocridade?

Para quê a revolta?

Hoje... a revolta é apenas para me sentir vivo! Para alguém que esteja do outro lado do mundo e se identifique com estas palavras não sinta que está sozinho. Para alguém saber que ainda há pessoas com um código moral que condena a mentira e o roubo.

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quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Falhar?

O humor negro (ou será mesmo indignação) chega-nos dos sitios mais estranhos. Desta vez da sala de audiências onde Paulson e Bernanke tentam convencer os congressistas a pagarem $700 biliões por dívida tóxica.

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sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Pensamento do dia

"Existem 6.84 triliões de dolares depositados nos bancos norte americanos. Estes têm cerca de 240 biliões de dolares de liquidez. Os bancos não podem assegurar os depósitos"

“Investing in Chaos, The Storm is Here”
Darryl Robert Schoon, September 17, 2008


Ninguém se espante porque isto é perfeitamente normal e legal, é mesmo assim que funciona o sistema de reserva fraccional. O resto do dinheiro estará provavelmente em hipotecas que fazem a diferença... ou faziam... bom, não digam a ninguém porque senão ainda tentam levantar o dinheiro que lhes pertence.

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A morte dos mercados livres

Os mercados mundias sofreram hoje ondas de pânico, euforia, tristeza e indignação. A SEC (Securities Exchange Commision - uma espécie de CMVM americana) decidiu impedir a venda curta (short selling - uma das formas que os investidores podem usar para ganhar dinheiro em Bear Market) de 799 titulos de instituições financeiras. No Reino Unido já ontem tinha sido dado o mote.

Existiria tanto para comentar que nem sei por onde começar. Sinto que o mais interessante é que no fundo o maior sentimento é mesmo de indignação e não de surpresa, de uma maneira ou de outra todos já esperavam a manipulação do mercado desta forma. Deixo apenas um comentário curto da MarketWatch:


NEW YORK (MarketWatch) -- When Russia shut down its stock markets to avoid the global collapse sweeping the markets earlier this week, most of Wall Street shook its head.

The move smacked of totalitarianism and artificial manipulation, such a brazen intervention wouldn't happen in a free market.

Well, the Russians are having a good chuckle after Securities and Exchange Commission Chairman Christopher Cox, following the lead of the U.K.'s Financial Services Authority, initiated a ban in short selling for 799 U.S. financial institutions including Morgan Stanley , Goldman Sachs Group Inc. and Washington Mutual Inc. .

The move smacks of irony on several fronts. For one, institutions such as Morgan and Goldman regularly practice short-selling as part of their proprietary trading strategies. These firms made billions in profits by running hedge funds or serving them through prime brokerage operations. They shrugged when companies complained that short sellers were ruining their companies.

Now, Morgan's John Mack and Lloyd Blankfein of Goldman not only won a ban of naked shorting, but of all shorting of their industry. They also have persuaded New York State Attorney General Andrew Cuomo to investigate short selling in the market place.
Remember, short selling is perfectly legal. Manipulating prices through rumor isn't. But what is the SEC banning?

Eric Newman, portfolio manager at TFS Capital , said the SEC is doing exactly what claims to be against -- manipulating the markets and propping up ailing financial companies. They're doing it because the banks are essentially backed by taxpayers and have become politically important.

Our complaint through history about countries that try to influence their markets by changing the rules mid-game was that it was tantamount to cheating. For all of its faults, the U.S. markets were supposed to be the most level playing fields in the world.


E agora? O que nos resta?

Se a história for algum indicador vamos ver uma subida desmesudara dos índices accionistas nas próximas semanas ou talvez meses, no final iremos ter uma queda abrupta a níveis muito inferiores aos que vimos esta semana e aí os reguladores vão ter muita pena de não terem os especuladores a fecharem as suas posições curtas (a comprar acções) e a segurar o mercado mas isso não interessa nada... o que interessa é encontrar culpados para pendurar na praça publica em tempo de eleições.

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