segunda-feira, 16 de maio de 2011
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Esclarecedor (II)
Neste país é assim, o primeiro ministro vem à televisão dizer de que é que o acordo não consiste, apelida-o de uma grande vitória para a nação e depois o acordo propriamente dito é lançado para os jornais a ver se a malta se assusta com o tamanho do documento (escrito em "estrangeiro" ainda por cima) e evita ler a coisa não vá ficar com a ideia que aquilo de "vitória" não tem nada.
Pois bem, o acordo genéricamente falando é uma bela trampa. Vai aumentar o IVA, o IRS, o IRC, o imposto sobre o tabaco, o imposto sobre os automóveis, as taxas moderadores enfim. Tudo o que se lembrem que sejam receitas do Estado... toca a pagar mais. O que vale é que a nossa carga fiscal era reduzida portanto não custa nada pagar mais um pouco.
No capitulo das receitas temos também uma mão cheia de privatizações como a EDP, a GALP, CP, REN e mais umas quantas. Como é normal nestas coisas o Estado vai continuar com o lixo e privatizar o que é bom (no caso da CP, o transporte de mercadorias) ao desbarato. Sempre se tira o Estado de muito sitio onde não devia estar mas ficamos com um sabor agridoce na boca. Um aspecto verdadeiramente positivo é o acordo para o Estado abandonar as suas golden shares.
Do lado da despesa surpreende muito pouco. A maior parte dos pontos são coisas que já estão a ser faladas desde o PEC 1 mas a implementação é o que se sabe. Contratar menos funcionários públicos do que aqueles que se reformam, concentrar serviços enfim... às vezes o acordo parece uma simples declaração de intenções que não nos levam a lado nenhum. A única novidade é mesmo que o FMI vai seguir o processo e se vir derrapagens tenderá a agir o que é positivo pois já se viu que a Assembleia da República não tem capacidade de o fazer.
Ainda existe uma ou outra medida que pode ser considerada nova como a redução do valor e duração do subsidio de desemprego. A "reforma" da lei laboral que os papões do FMI vinham trazer pariu um rato e pior que isso suporta políticas que deviam ser travadas (como a obrigação dos patrões para descontar para o "fundo de indemnização aos empregados que ainda não despediu mas um dia lhe pode apetecer despedir", o que é muito bom porque o patronato anda todo com dinheiro a mais no bolso e não sabe onde o aplicar). Ainda do lado positivo existem algumas ideias boas para a saúde e justiça mas as poucas ideias que são mais que boas intenções depressa são compensadas com outras ideias menos boas (como por exemplo definir o preço dos genéricos por decreto).
É um acordo que acaba por fazer pouco para que os portugueses se apercebam da realidade e os próprios objectivos do défice são pouco ambiciosos. Dentro de poucos anos o default será inevitável e os portugueses vão estar mal preparados também por causa deste acordo.
terça-feira, 3 de maio de 2011
USS Titanic
Podia ser o titulo do novo comentário de Bill Gross ao mercado de dívida pública americano e aos efeitos perversos que a política da FED está a ter nos mesmos. Bill Gross não foi tão assassino no título, mas apenas nisso.
The point of the Reinhart paper was not to state the obvious – that inflation is bad for bonds. Their financial repressionary thesis points out that bond prices don’t necessarily have to go down for savers to get skunked during a process of “debt liquidation.” The argument over whether the end of QEII on June 30 will result in higher yields and lower Treasury bond prices is, in a sense, a secondary one. Even if 10-year Treasuries stay where they are at 3.30%, and fed funds close to 0%, savers and financial intermediaries are being shortchanged by both of these yields and everything in between. Today’s rates resemble the interest rate caps prior to the 1951 Accord. Either through QEI, QEII or the Fed’s “extended period of time” language reinforced at Chairman Bernanke’s recent press conference, U.S. Treasuries and the bond market in general are being “repressed,” “capped” or simply overvalued compared to the prior 30 years. Bond investors forced to invest in dollar government bonds either through indexation, convention, regulatory guidelines or simply falling asleep at the helm are being shortchanged by 1 to 2% annually compared to historical norms and in many cases receive negative real yields.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Advinha
Qual é coisa qual é ela que sobe mais de 2% ao dia desenhando um perfeito crescimento parabólico? Se respondeu prata está errado. Estou a falar dos juros da dívida pública.
É sempre bom recordar
“Te fact that we are here today to debate raising America’s debt limit is a sign of leadership failure. It is a sign that the US Government can’t pay its own bills. It is a sign that we now depend on ongoing financial assistance from foreign countries to finance our Government’s reckless fiscal policies. Increasing America’s debt weakens us domestically and internationally. Leadership mean sthat 'the buck stops here'. Instead, Washington is shifting the burden of bad choices today onto the backs of our children and grandchildren. America has a debt problem and a failure of leadership. Americans deserve better.”
Senador Barack Obama, em 2006.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Breaking news: Pigs can fly
Ou talvez ainda mais surpreendente: a S&P coloca os EUA com um outlook negativo.
Malditos especuladores...
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Cá vos espero (III)
Depois do famoso "Espanha não é Portugal" que podemos considerar como o primeiro passo na admição da bancarrota os nossos vizinhos passam à segunda fase: pedir esmolas aos chineses.
Perto de 10 mil milhões sempre dá para qualquer coisa. Daqui a uns meses passaremos aos passos seguintes que envolverá uma queda do Governo e a óbvia culpabilização da oposição maléfica (não foi possível ainda determinar por método cientifico se "oposição" está mais acima ou abaixo na escala de "malvadez" do que os "especuladores", aguarda-se a qualquer momento uma resposta definitiva). Ainda assim aqui ao lado sempre há qualquer coisa que nós não temos: um mínimo de vergonha. Não resolve mas ajuda.
terça-feira, 12 de abril de 2011
Actualização de spreads (XVII)
Em mês de insolvência nacional Portugal volta a recuperar o 2º lugar da lista com uma subida agressiva ao mesmo tempo que a Irlanda faz uma pausa. Como se pode ver a Espanha por enquanto tem a situação controlada.
O mais importante porém não se consegue ver no gráfico acima. É que o bailout de Portugal e o dispersar do risco pelas economias mais fortes da zona euro está a afectar os juros de países como a Alemanha e Holanda. A situação pode ver-se melhor no gráfico de yields:
Dos casos anteriores o que temos visto é que a partir do momento em que a zona dos 6% a 7% é quebrada em alta é uma questão de meses (ou mais, se tiver um governo muito muito muito teimoso) até se pedir intervenção externa. A Espanha vai-se mantendo para já abaixo dos 5.5%
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Cá vos espero (II)
6300 milhões é o que se espera que Espanha enterre em Portugal, isto claro se o peditório nacional for de “apenas” 75 mil milhões, número que provavelmente será revisto em alta para perto dos 100 mil milhões.
Mas o que realmente me faria feliz era ouvir da boca de Zapatero que os espanhois não se devem preocupar, é que ainda vão ganhar muito dinheiro com o empréstimo que vão fazer a Portugal. Enquanto isso não acontece vou ter que ir comendo a pipoquinha ao sabor das palavras dos subalternos, you guessed it: “A Espanha não é Portugal”.
Para ser justo, é um pouco diferente... é uma mistura de socialismo português com um buraco bancário irlandês.
Preemptive strike
Parece que os sindicatos da FP “sacaram um Bush“. Ainda não sabem o que lhes vai acontecer nem que Governo vai ser formado para administrar a receita mas sabem que são contra.
Além de serem genericamente contra num dia normal são ainda mais veemente contra às sextas-feiras.
A este ritmo, quando chegarem os espanhois já estou sem pipocas.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Cá vos espero

Hermanos, vejo que já estão vestidos a rigor. As pipocas estão comigo, aguardo a vossa presença para vermos o fim do filme.
Dominoes fall...
And even more junk
Este país já parece uma lixeira a céu aberto...
Ler acompanhado de Junk e More junk.
terça-feira, 5 de abril de 2011
10%
Entretanto os bancos portugueses olharam hoje para este boneco, viram-se confrontados com as agências de rating e começaram (só agora?) a calcular as suas probabilidades de sobrevivência financeira. Chegaram à conclusão que têm de cortar o crédito ao Estado. Demasiado tarde senhores.
terça-feira, 29 de março de 2011
More junk
On March 29, 2011, Standard & Poor's Ratings Services lowered its sovereign credit ratings on the Republic of Portugal to 'BBB-/A-3' from 'BBB/A-2'. At the same time, the ratings on Portugal were removed from CreditWatch with negative implications, where they were placed on Nov. 30, 2010. The outlook is negative.
sexta-feira, 11 de março de 2011
Actualização de spreads (XVI)
Faltam 20 dias
Da LJ Carregosa:
Dívida pública portuguesa a 5 anos negoceia no novo máximo histórico nos 7.925%.
Dívida pública portuguesa a 2 anos negoceia no novo máximo histórico nos 6.493%.
Suspeito que o Sócrates leia o Inflaccionista e esteja à espera do 1º de Abril só para me irritar.
E sim, isto significa que já temos uma curva invertida (dos 5 anos para a frente). Ainda se lembram onde é que já vimos isto antes?
quarta-feira, 9 de março de 2011
Something is changing (II)
A não perder este artigo no ZH sobre a alegada decisão de Bill Gross (PIMCO) reduzir a exposiçãoi à dívida dos EUA.
quarta-feira, 2 de março de 2011
Faltam 29 dias
Para os que ainda se lembram, o meu palpite para a aterragem do FMI na Portela era o fim deste mês. Faltam 29 dias e presumo que o nosso Primeiro Ministro tenha ido hoje justificar-se à nossa líder do Governo porque é que ainda não pediu ajuda à UE e ao FMI.
Enquanto ele se justifica outros vão colocando os seus palpites parecidos com os meus:
“The borrowing costs are just too high” for Portugal, Christopher Iggo, London-based chief investment officer for fixed income at Axa, France’s fourth-largest fund manager, said in a telephone interview two days ago. “Ireland and Greece had to go for a bailout once their borrowing costs got that high, so I fully expect Portugal to go within the next few weeks.”
Portugal’s 10-year bond yield reached 7.64 percent on Feb. 10, the most since the inception of the euro in 1999, and was at 7.45 percent as of 12:01 p.m. in London. It first climbed above 7 percent on Nov. 10 and has been above that level since Feb. 4. Greece needed a rescue within 17 days of its 10-year yield breaching 7 percent on April 6, while Ireland lasted less than a month after it cracked that level in October.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Debt clock português (III)
Desde que fiz o relógio da dívida pública portuguesa parece que o Estado abrandou o ritmo de endividamento. Passados estão os tempos em que nos endividávamos a mais de 600 euros por segundo. Segundo o IGCP agora estamos apenas a um ritmo de 354 euros por segundo (último semestre de 2010). Bastante saudável obviamente.
Bom, mas isto tudo para dizer que actualizei o relógio do lado e como resultado ele andou para trás cerca de 5 mil milhões de euros. As más notícias é que continuamos a dever mais de 150 mil milhões.

