sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Ignorância financeira

Portugal tem de enfrentar a crise financeira que bate à porta tal como todos os outros países. No entanto, Portugal é vitima de uma situação mais grave pois será um dos poucos países que tem um primeiro ministro completamente ignorante e ileterado em questões económicas e financeiras.

Em Setembro José Socrates já nos tinha presenteado com as suas afirmações na Assembleia da Republica dizendo que não sabia o que era o shortselling (venda curta) mas que era contra. Isto demonstra não apenas a sua ignorância sobre os mercados de capitais mas também a sua arrogância e intrasigência sendo contra algo que não sabe muito bem do que se trata (continuo a fazer notar como fiz anteriormente que as maiores quedas dos índices bolsistas vieram a seguir a este tipo de proibições por vários governos).

Neste natal porém o nosso primeiro ministro, na sua mensagem de boas festas, dá mais umas mostras da sua incompetência. O mais gritante será mesmo quando diz que o Governo foi responsável pela queda das taxas de juro. Isto não é a sua ignorância, ele sabe que isto é mentira até porque já tinha dito antes que o Governo nada poderia fazer sobre as taxas de juro (o que é manifestamente verdade devido à adesão ao Euro e ao outsourcing que fizemos do serviço de impressão de moeda para o Banco Central Europeu). Mas sendo 2009 um ano de eleições José Sócrates não resistiu a mentir um bocadinho na esperança que não seja ele o unico ignorante financeiro no país e que realmente alguns eleitores acreditem que foi ele, com o seu toque divino, que fez baixar as taxas de juro (as prestações essas ainda não desceram para muitos portugueses devido a especificidades dos contractos de empréstimo).

A segunda parte do discurso centrou-se nos "recursos" que o Governo promete utilizar contra a crise no "interesse nacional". Convém esclarecer duas coisas:

1) O Governo não tem recursos. Para ter recursos um país necessita de superavits comerciais e fiscais coisas que Portugal não sabe o que é há várias décadas. Os cofres estão vazios e portanto nada há para gastar ou investir no meio desta crise. Teria sido necessário, em tempo de vacas gordas, aproveitar para diminuir a despesa publica com uma reforma da função publica séria e célere. Reduzir o défice à custa do aumento da carga fiscal como se verificou, além de demonstrar a incompetência de quem nos governa, fará com que aos primeiros sinais da crise a massa tributável desça consideravelmente e que a receita fiscal fique muito longe do necessário para cobrir as despesas correntes.

2) O único "recurso" que resta então ao nosso primeiro é endividar-se. Aqui convém esclarecer que nada há de "interesse nacional" em endividar o país e convém chamar as coisas pelos nomes. O Governo está interessado em ser eleito novamente, isso é obviamente no seu interesse e no interesse do Partido Socialista, o interesse nacional é que não podia estar mais desinteressado no PS ou nos seus líderes. Reconheço que a dívida será um balão de oxigénio a curto prazo, mais do que suficiente para garantir mais 4 anos desta governação mas a longo prazo, quando formos obrigados a pagar o que devemos, vai ser bastante pior para o país. Convém pois não confundir o interesse de José Socrates com o interesse nacional.

Neste Natal é o meu desejo que alguém tenha oferecido aos membros do nosso Governo um qualquer livrinho de Adam Smith ou Rothbard... poderia poupar as novas gerações a anos de sofrimento no futuro.

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quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Sobre o Capitalismo...

The flood of misinformation, misrepresentation, distortion, and outright falsehood about capitalism is such that the young people of today have no idea (and virtually no way of discovering any idea) of its actual nature. While archeologists are rummaging through the ruins of millennia for scraps of pottery and bits of bones, from which to reconstruct some information about prehistorical existence—the events of less than a century ago are hidden under a mound more impenetrable than the geological debris of winds, floods, and earthquakes: a mound of silence.

- Ayn Rand, filósofa século XX


A quantidade de desinformação, desrepresentação, distorção e falsidades descaradas sobre o capitalismo é tão grande que os jovens de hoje não têm ideia (nem praticamente nenhuma maneira de o descobrirem) do que é a essência do capitalismo.

Enquanto arqueologistas escavam as ruínas milenares em busca de de pedaços de barro ou bocados de ossos sobre as quais possam reconstruir alguma informação sobre a nossa existência pré-histórica - os eventos de há menos de um século estão enterrados num monte mais impenetrável que aqueles criados para os arqueologos por ventos, inundações e terramotos: um monte de silêncio.

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terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Pensamento do dia

“We can guarantee cash benefits as far out, and at whatever size you like, but we cannot guarantee their purchasing power.”

- Alan Greenspan, Presidente da Reserva Federal dos EUA entre 1987 e 2006.

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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Boas festas

O Natal está a chegar e tem-se visto a actividade aqui no Blog a diminuir. Serve portanto este post para desejar umas boas festas a todos os leitores e que as passem junto de quem mais gostam.

No mundo económico continua tudo muito parecido ao que estava quando iniciei o blog. Os défices continuam a aumentar, a intervenção estatal na economia é cada vez mais gritante, a produtividade baixa, o desfile do desemprego ainda agora vai no adro, o crédito contrai-se, os bancos centrais manipulam as taxas de juro, os mercados accionistas continuam mergulhados no seu bear market e o ouro arrisca-se a ser o único investimento a não acabar o ano negativo.

Gostava de em 2009 poder falar de como a prata sobe de preço devido ao aumento da procura para aplicações industriais, de como uma economia vibrante faz com que este metal precioso se valorize, infelizmente pareço condenado a repetir-me sobre as condições monetárias que imperam e como o ouro é dos poucos refúgios disponíveis.

Boas entradas e que 2009 tenha melhores notícias para todos.

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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Ainda há politicos honestos?

Na américa existe pelo menos um...

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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Certificados de prata

A fonte é um simples blog, como este, e vale o que vale. O link que aqui vos deixo reporta a história de uma simples pessoa que comprou um certificado de 100 onças de prata (cerca de 3Kg).

Pura e simplesmente não consegue que o seu banco (canadiano) lhe entregue o metal, o banco apenas se oferece para pagar o valor em dinheiro do metal. Isto levanta muitas questões sobre o serviço que está a ser prestado mas mais importante deve levantar uma questão na mente de todos nós investidores de prata: temos a prata que comprámos ou temos apenas uma promessa de prata?

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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Backwardation

Queria deixar aqui um artigo que acho da maior importância para os metais monetários (prata e ouro) escrito hoje pelo Professor Fekete.

Já aqui antes deixei artigos do mesmo autor e acho que são de uma grande clareza e uma mais valia para quem quer compreender a história do dinheiro e as implicações que o papel moeda e a manipulação de taxas de juro pelos bancos centrais têm na economia real.

Este artigo é muito importante porque nos fala de backwardation. Este termo significa que o preço, neste caso do ouro, no mercado internacional de futuros está a atravessar uma fase que nunca atravessou nos 36 anos de existência do mercado de futuros. Acontece que o preço do ouro para entrega em Dezembro está, em relação ao preço spot, mais caro do que o preço do ouro para entrega em Fevereiro (o contrato seguinte mais próximo de Dezembro).
Quando isto acontece, qualquer pessoa com ouro pode fazer dinheiro de uma forma muito simples: vende o seu ouro agora e compra um contracto de futuros para entrega em Fevereiro. Assim, em Fevereiro terá exactamente o mesmo metal que tem hoje e entretanto ganhou a diferença de preço entre um mês e outro.

Nos metais monetários estas situações são extremamente raras. Quando aconteceram no passado o mercado corrigiu-as em relativamente pouco tempo (algumas horas). O facto de que se prolonga no tempo há mais de 48 horas indica que um pânico silencioso está a ocorrer, ninguém vende o ouro agora porque não há a certeza de quem em Fevereiro haja ouro para entrega.

A tornar-se permanente a situação (nem eu nem o Professor dizemos que terá de assim o ser) indicará que a prazo nenhum valor será suficiente para comprar ouro, determinando assim o fim do sistema baseado em dinheiro fiduciário.

Um artigo que vale bem a pena ler.

Links relacionados:
Red Alert: Gold Backwardation!!!
Last Contango in Washington
COMEX Countdown!

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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Preocupado com a deflação?

O melhor é investir em notas do banco central do Zimbabwe. Com uma inflação anualizada superior a 230.000% (duzentos e trinta mil por cento, não é erro) já são emitidas notas de 100 biliões de dolares do Zimbabwe.

Como a deflação anda tanto na moda eu decidi proteger-me e comprei no EBay uma nota de 50 mil por 1£ ... claro que a nota vale menos do que isso mas achei engraçado para referência futura... aqui fica a fotografia da nota:



Espero que tenham reparado na categoria deste tópico antes de comprarem notas...

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Um país a saque

Enquanto escrevo estas linhas Portugal está a ser saqueado. Uma enorme transferência de riqueza está a ser realizada e conduzida pelos líderes da nação. É o mesmo de sempre mas desta vez nem têm vergonha.

A crise é uma oportunidade para muitos, assustando as pessoas que podem perder tudo, a casa para os altos juros ou os empregos para uma economia em recessão pode-se fazer muita coisa sem que haja um sentimento de revolta por aqueles que se vêm despojados dos seus bens. É assim que se roubam milhões e milhões...

E quem é roubado são os mesmos de sempre, os que têm algo que valha a pena ser roubado. Os que trabalham vêm o seu esforço ser cada vez menos compensado pela tributação directa, indirecta ou camuflada dos produtos do seu trabalho.

Um banco pode ter uma ajuda de 600 milhões de euros de uma semana para a outra. Não interessa se foi gestão danosa, se não houve controlo do risco, se houve alavancagens excessivas ou simplesmente irracionalidade nos investimentos. Tem de ser ajudado a todo o custo. Mas se formos uma pequena empresa então temos de pagar impostos sobre bens ainda não facturados, sobre lucros que não existem, alhearmo-nos de capital que é nosso para que o Estado possa distribuir por quem bem entender.

A industria automóvel pode receber 900 milhões de euros sem qualquer tipo de problemas. Mas reduzir o duplo roubo do Imposto Automovel e do IVA que se paga sobre esse imposto está fora de questão. Todos os estimulos foram considerados para esta industria à excepção de aliviar o consumidor dessa industria.

E assim quem trabalha vai pagando sem protestar. Paga o IA, o IVA, o ISP, o IRS, o IRC, o IMT, a taxa moderadora, o imposto do selo e o que mais lhe pedirem para pagar e para se sacrificar em prol do interesse nacional (a vergonha que seria falir um banco nacional... o horror, a tragédia... a palhaçada que sai das bocas dos nossos governantes).

Enquanto esta metade produtora do país não se recusar a pagar o que não deve Portugal continuará neste estado. Deixar os campos abandonados, parar as fábricas, não passar recibo, trabalhar por fora... são as soluções para deixar este barco naufragado afundar de vez e podermos começar de novo.

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sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Conferência sobre a prata

Em baixo fica uma série de 3 filmes (cerca de 10 minutos cada) que são uma apresentação de David Morgan sobre o passado, presente e futuro da prata como um metal monetário e como um metal com várias aplicações industriais.

A apresentação foi feita em Londres na Silver Summit 2008 que já conta com 3 edições. É um bocado longo mas acho que vale a pena para todos os investidores (presentes ou futuros) de prata ou ouro.













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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Citigroup diz que ouro pode atingir $2000

Segundo o Telegraph, numa nota interna dirigida aos seus clientes o mais recente banco a receber dinheiro do governo para não abrir falência diz que estas medidas podem levar o ouro até aos 2 mil dolares por onça.

O ditado "não morder a mão que o alimenta" não é, claramente, conhecido no seio deste grupo.

The bank said the damage caused by the financial excesses of the last quarter century was forcing the world's authorities to take steps that had never been tried before.

This gamble was likely to end in one of two extreme ways: with either a resurgence of inflation; or a downward spiral into depression, civil disorder, and possibly wars. Both outcomes will cause a rush for gold.

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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Pensamento do dia...

Não devemos acreditar na maioria que diz que apenas as pessoas livres podem ser educadas, mas sim acreditar nos filósofos que dizem que só as pessoas educadas são livres.

(Epicteto 55-135)

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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Queremos um novo padrão ouro

E agora não sou só eu que o digo. Este artigo no Wall Street Journal não é nada de novo em relação ao que se tem aqui escrito, o mais relevante é mesmo que foi escrito por um ex-Vice Presidente do Federal Reserve Bank of Dallas demonstrando que a mensagem começa a chegar a pessoas com uma plataforma e com capacidade de espalhar a sua mensagem melhor que um badameco qualquer num blog.

Fica o excerto:
The economy now confronts deflationary forces. If past is prologue the Fed will concentrate on those deflationary forces for too long and rekindle an asset boom of some kind. The fiscal "stimulus" being contemplated by Congress could be another economic accelerant. If both the fiscal and money stimulus efforts kick in just as market forces also kick in, we're likely to see another unsustainable boom that will be followed by a bust.

The incoming administration must think about that possibility because the timing of boom and bust cycles seems to be shortening. The next bust could come five or six years from now -- or about in the middle of an Obama second term. Should that happen, Mr. Obama would be unable to blame Republicans for the mess and would be tagged as the second coming of Jimmy Carter.

To avoid such a fate, Mr. Obama needs to stop the next asset bubble from being inflated by imposing a commodity standard on the Fed. A commodity standard (such as a gold standard) imposes discipline on a central bank because it forces it to acquire commodity reserves in order to increase the money supply. Today the government can inflate asset bubbles without paying a cost for it because the currency isn't linked to the price of a commodity.

With a commodity standard in place, the government would also have price signals that would alert it to the formation of a bubble. Why? Because the price of the commodity would be continuously traded in spot and futures markets. Excessive easing by the Fed would be signaled by rising prices for the commodity. In recent years, Fed officials have claimed that they cannot know when an asset bubble is developing. With a commodity standard in place, it would be clear to anyone watching spot markets whether a bubble is forming. What's more, if Fed officials ignored price signals, outflows of commodity reserves would force them to act against the bubble.

The point is not to deflate asset bubbles, but to avoid them in the first place. Imposing a commodity standard is a practical response to the repeated failures of central banks to maintain sound money and financial stability. What would be impractical is to believe that the next time central banks will get it right on their own.

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Venha outra bolha

O video já é velhinho mas no espirito do blog merece sem duvida estar aqui... onde estará a próxima bolha?

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terça-feira, 18 de novembro de 2008

Seis meses de ditadura

Manuela Ferreira Leite acha que seis meses de ditadura é o que faz falta ao país. Arranjava-se tudo e então, depois desses seis meses ditatoriais, poderia voltar todos à bela democracia.

O optimismo é realmente encorajador... quem é que realmente acha que se resolve um problema destes em 6 meses?

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Parabéns Sr. Ministro

O Financial Times elegeu o Sr. Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, como o pior ministro das finanças da União Europeia.

Parabéns Sr. Ministro... despercebido não passou.

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domingo, 16 de novembro de 2008

Fenómeno deflacionário

Numa discussão no Caldeirão foi feita a seguinte pergunta:
Um acontecimento que sempre me causou estupefacção é o fenómeno deflacionário.

A minha questao é: se um governo assim o desejar, e poder decidir a sua politica monetária (taxa de juro e emissao de moeda), nao consegue reverter facilmente esta situação?


Tentei responder da melhor forma e aqui fica então o esclarecimento para os leitores do blog

Imaginemos que uma laranja custa 10 euros. Existe aí uns quantos tipos espertos que acham que a procura dos próximos anos vai exceder a oferta e decidem comprar laranjas antes do tempo (através de um qualquer instrumento financeiro, e.g. futuros). Mas nestas coisas usa-se sempre um bocadinho de alavancagem.

Conforme o tempo passa mais investidores aderem à compra de laranjas, ou porque seguem a tendência ou porque tiraram as mesmas conclusões que os primeiros tipos, ou porque simplesmente gostam de laranjas. Conforme se fazem mais compras a crédito (alavancagem) mais se expande a massa monetária que tende a inflacionar o preço da laranja, neste caso não só devido à procura/oferta mas também porque efectivamente há mais dinheiro atrás da mesma produção da laranja.

O preço das laranjas dispara como é óbvio e numa economia eficiente haverá mais agricultores a dedicarem-se às laranjas para aproveitarem melhor o seu capital. Estes agricultores pagarão mais aos seus funcionários para garantirem mão de obra suficiente na apanha da laranja e por aqui começa-se a dispersar o capital fabricado através do crédito na economia real.

Ao fim de algum tempo (uns anitos que estas coisas demoram) a oferta excederá a procura e eventualmente o preço terá de baixar.

O cenário agrava-se porque não só o excedente de laranjas faz baixar o preço como as posiões alavancadas que serão fechadas, seja por opção ou porque o prejuízo da posição a isso obriga. O dinheiro então criado passou a ser destruído e passa efectivamente a haver menos dinheiro a procurar essas mercadorias.

Entretanto os agricultores não conseguem suportar os custos que estão inflacionados, o seu capital real foi também diminuido pelo investimento que fizeram nas terras e pelos salários mais altos com que se compremeteram e como não poderão vender por muito tempo as laranjas abaixo do seu preço de produção sem que abram falência começa por aqui a deflação a entrar na economia real. Reduçáo de produção, emprego, investimento, etc.

É fácil de ver porque é que os governantes preferem a inflação à deflação, mas também não é muito dificil de ver a capacidade destrutiva da inflação quando faz com que o capital seja alocado a industrias que não o deveriam ser, sejam laranjas ou casas de habitação.

É certo que visto que o dinheiro é só papel (ou bits no computador lá do banco) o Governo o poderia fazer reaparecer, mas os mecanismos pelos quais isso se faz é através da dívida publica e levanta-se a questão se será justo que todos os cidadãos fiquem individados como resultado das acções de apenas um pequeno grupo. Mais... o dinheiro pode ser criado mas não há garantias que vá parar à industria da laranja, pode ir parar às maçãs o que além de não resolver o problema das laranjas arriscava-se a criar um problema semelhante numa outra industria. E enquanto isto o capital real vai sendo dizimado e trocado por promessas de capital futuro (dívida) o que é bastante diferente.

Também se pode notar que apesar de o papel destrutivo ser da inflação normalmente é a deflação que leva com as culpas todas pois é apenas quando esta surge que os problemas se tornam visiveis.

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sábado, 15 de novembro de 2008

Inflação ou deflação... talvez reflação?

Por onde quer que se olhe nos principais sites noticiosos a deflação está na ordem do dia. Não é de admirar, as baixas significativas nos mercados accionistas, as falências, os investimentos alavancados que tiveram de ser desfeitos, os pequenos investidores que assustados removeram os seus capitais de fundos, as commodities seguiram também o mesmo caminho com o petróleo, prata, trigo e outros bens a descerem, em alguns casos, mais de 60% desde os máximos no inicio do ano.

Estamos então em deflação clara? No imediato será justo dizer que sim, mas como já aqui referi o maior medo dos governos e bancos centrais sempre foi e sempre será um ambiente deflacionário e não um inflacionário. Enquanto a inflação disparava no inicio do ano os bancos centrais em todo o mundo desciam as suas taxas de juro (com a honrosa excepção do BCE que subiu 0,25% a sua taxa de referência) e assim que surgiu a hipótese de deflação começaram todos a cortar as taxas e a injectar dinheiro nos mercados como se não houvesse amanhã. Até o BCE que demorou tanto tempo para reagir à inflação em menos de um mês cortou a sua taxa de referência em 1% e deixando bem viva no mercado a impressão que tem mais espaço e vontade para continuar a cortar... no que diz respeito aos bancos centrais é uma corrida até ao fundo, o objectivo parece ser chegar a 0% apesar de as taxas de referência já estarem por todo o lado abaixo das taxas de inflação.

Estas medidas de injecções de liquidez e redução de taxas de juro são sempre as primeiras medidas dos bancos centrais. Aliás já em 2000 e 2001 manipularam as taxas de juro o suficiente para levar com que as pessoas se endividassem e estimulassem a economia. As compras de casas maiores que as possibilidades das carteiras dos seus donos não foram um problema apenas dos EUA, apesar do menor mediatismo também a Europa aproveitou a era do "dinheiro grátis" que o BCE permitiu no inicio da década para se endividar em demasia sendo Espanha provavelmente o caso mais mediático na União Europeia. Este dinheiro que as pessoas não tinham foi no entanto direccionado, maioritariamente, para industria de construção durante alguns anos, reduzindo o desemprego e fazendo passar a pressão deflacionista que o estoiro da bolha .com tinha originado... como é repetitivo cada vez que um governo tenta interferir na economia para tentar fazer o que ela não quer (em 2000 obrigando-a a expandir quando era necessário corrigir dos excessos) acabam apenas por deferir o problema para o mandato do governante seguinte, normalmente um problema que entretanto cresceu e se torna mais difícil de corrigir.

E é assim que chegamos a 2008, com o estoiro da bolha do subprime construída em cima da bolha da internet temos uma mega bolha para corrigir. Se uma era deflacionária e ameaçava uma recessão esta ameaça destruir por completo o sistema financeiro e uma depressão. Mais uma vez governantes e bancos centrais não estão dispostos a enfrentar as consequências das politicas seguidas nos ultimos 40 anos e preparam-se para novamente deferir o problema para quem tiver o próximo mandato. Estas tentativas são, obviamente, sempre inflacionistas uma vez que consistem em imprimir notas através da emissão de divida publica e quem sabe mesmo sem emissão de dívida se a isso forem obrigados no futuro. Vamos analisar então as principais medidas que foram tomadas até hoje:

1) Baixa das taxas de juro - Esta medida falhou como se pode ver pelo diferencial, que aumentou bastante no ultimo ano, entre as taxas de referência dos bancos centrais e as taxas interbancárias.

2) Injecções de liquidez - Falharam parcialmente. A liquidez foi usada para tapar os buracos que existiam nos bancos, ou seja, ela foi usada mas não da forma que os governantes pretendiam.

3) Nicolas Sarkozy (Presidente Fracês) ameaçou nacionalizar os bancos que não emprestem dinheiro. Ao repararem que a liquidez não chega aos consumidores a expectativa inflacionista vai-se abaixo. É como imprimir muitas notas novas e os bancos andarem a guardarem-nas debaixo do colchão. Não coloca pressão nos preços para subirem. Se os bancos recomeçarem a emprestar dinheiro então não só esse dinheiro chega às pessoas como através do sistema fraccionário permitirá que se multiplique ainda mais o dinheiro trazendo a desejada inflação.

4) Hank Paulson (Secretário do Tesouro dos EUA) tinha 700 mil milhões de dolares para comprar algumas hipotecas dos bancos mais aflitos e assim ajudar a limpar as suas folhas de balanço. Já se apercebeu que embora isso ajude os bancos a não abrirem falência não significa que os bancos emprestem. Mudou então esta semana o seu plano (depois de já ter gasto 200 mil milhões) para passar a financiar directamente os consumidores. Não tenho os pormenores de como isto vai ser feito mas não é liquido que funcione... nada obriga os consumidores a gastarem esse dinheiro em novos bens causando inflação, podem simplesmente pagar a dívida que têm à banca o que mais uma vez impediria o dinheiro de entrar em circulação.

Vemos então que os passos tomados (todos inflacionistas por natureza) têm sido cada vez mais drasticos e que mesmo assim não funcionaram. Porque continuo eu convicto de um cenário hiperinflacionista nos próximos anos?

Porque os governos não vão simplesmente desistir, haverá mais passos a tomar, mais dinheiro a ser queimado, mais radicalismo nas opções tomadas. A minha convicção de que não permitirão uma nova depressão deflacionista (como têm demonstrados pelos passos tomados) anda de mão dada com o cenário de hiperinflação.

Vamos a ver que medidas novas vão surgir nos próximos tempos, talvez um perdão de dívida generalizado, talvez um repricing de certos bens como o ouro, ou talvez a impressão de mais e mais dinheiro até alguém decidir que é altura de o gastar... a imaginação dos bancos centrais e governantes não tem limites.

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A escola (IV)

Como sabem a educação é algo que me preocupa e tenho aqui deixado alguns artigos comentando vários episódios educativos mais ou menos tristes umas vezes para os pais e as associações dos encarregados de educação, outras para os governantes e outros membros da comunidade como os alunos e educadores.

Numa altura em que os protestos contra a ministra se ouvem bem alto, que já incluem os professores e os alunos, faltam agora os pais. Penso ter sido com essa intuição que foi criada esta petição bastante interessante. Vale a pena ler e assinar se concordarem.

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terça-feira, 11 de novembro de 2008

Mercado negro

Para os que ainda acham que não se passa nada no reino dos metais preciosos tenho andado a compilar dados que mostram que desde Agosto até agora os prémios em prata já andaram (nos principais retalhistas da internet) nesse tempo entre os 20 e os 100 por cento por onça.

Números completamente ridiculos para um mercado que se diz livre, e já chegaram reports da Feira Internacional de Munique onde este fim de semana se negociou a onça de prata a €11.50

Em relação ao preço de fecho de sexta feira nos mercados internacionais isto representa um prémio de 45.94% demonstrando que o problema não é só dos retalhistas aderentes às novas tecnologias, o que se passa neste momento é que há dois mercados, o do COMEX onde a JP Morgan manipula a seu belo prazer o preço da prata com o aval da CFTC e o mercado livre, ou o mercado negro se tivermos em conta que é um mercado que ignora completamente o que os mercados de papel dizem que deve ser o preço.

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Messias desceu à terra

Já sabem que sou bastante cínico em relação a Obama, não que pense que McCain fosse melhor simplesmente acho que cada um implodiria de forma diferente a economia dos EUA e por arrasto este "paíszeco" onde vamos passando o tempo.

Mas se há algo engraçado no meio disto tudo é a forma como as massas vêm a eleição de Obama, como se Messias tivesse renascido e voltado a colocar os pés na terra... e não é que se calhar renasceu mesmo!

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sábado, 8 de novembro de 2008

Breve História sobre o Dinheiro (I)

Olá a todos,

Já andava a algum tempo com a ideia de fazer isto para o meu blog e hoje decidi, finalmente, colocar mãos à obra.

Assim completei o que espero ser o primeiro de muitos "pequenos" artigos que espero venham a servir para a educação genérica dos que têm interesse por este tipo de coisas. Dei preferência à apresentação de uma forma simples e evitar o uso de termos técnicos uma vez que espero que a audiência seja bastante variada.

Qualquer falha na apresentação ou críticas (construtivas) que me queiram enviar é só usar o e-mail ou deixar um comentário neste tópico. Boa leitura e espero que gostem.

Link para download.

PS: Este primeiro capítulo fala de conceitos básicos, de como surgiu o comércio, das vantagens da divisão e especialização do trabalho e da forma de constituição de preços. No próximo capítulo tenciono abordar a criação da banca moderna, do papel dinheiro, das suas vantagens e do seu lado negro que levou Louis XVI à guilhotina.

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sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Para mais tarde recordar...

Lembre-se de diversificar os seus investimentos: inclua sempre um banco falido no seu portfólio, nunca se sabe quando pode ser nacionalizado a bom preço.

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domingo, 2 de novembro de 2008

Um estudo antigo...

When business in the United States underwent a mild contraction [...] the Federal Reserve created more paper reserves in the hope of forestalling any possible bank reserve shortage. The “Fed” succeeded; [...] but it nearly destroyed the economies of the world, in the process. The excess credit which the Fed pumped into the economy spilled over into the stock market—triggering a fantastic speculative boom. Belatedly, Federal Reserve officials attempted to sop up the excess reserves and finally succeeded in breaking the boom. But it was too late: . . . the speculative imbalances had become so overwhelming that the attempt precipitated a sharp retrenching and a consequent demoralizing of business confidence. As a result, the American economy collapsed.

Poderíamos pensar que estas palavras foram escritas para descrever a actual crise... bem pelo contrário foram escritas por Alan Greenspan para descrever a crise de 1929 num seu trabalho académico... 20 anos antes de ele próprio tomar posse como presidente da FED e mergulhar o mundo num novo caos económico através da sua politica de baixas taxas de juro.

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BPN Nacionalizado

As nacionalizações começaram nos EUA, alastraram à Europa e finalmente atingem este jardim à beira mal plantado.

Não é nada de inesperado (especialmente para quem acompanha este blog), principalmente por ser o BPN visto que já há mais de um mês se discutia abertamente na praça publica os problemas deste banco. Ainda há cerca de 15 dias a CGD foi obrigada a fazer um empréstimo de 200 milhões para o BPN sobreviver mais uns dias.

Mas vale a pena pensar... é o BPN assim tão grande? Porque não deixar falir o BPN e simplesmente garantir os depósitos através do fundo do Banco de Portugal?

Para quê sobrecarregar os contribuintes já sem dinheiro com mais este fardo? É apenas para sermos "modernos" e fazernos o mesmo que se faz "lá fora" ?

Quando até o banco da esquina é desresponsabilizado pelas suas acções o que podemos esperar quando chegar a vez do BCP, BES e BPI?

E porque é que os portugueses em geral não podem ser desresponsabilizados? Também cometeram muitos erros desde 2000 com o crédito barato... vamos nacionalizar todas as habitações?

Como sempre, os responsáveis que paguem a crise...

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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Ainda a Islândia

Ainda há pouco tempo falei aqui de como a Islândia era um bom exemplo de como uma moeda se desmorona rapidamente e que só os que têm ouro (ou uma moeda estrangeira que não sofra o mesmo destino da moeda nacional... o que se poderá demonstrar dificil de encontrar nos próximos tempos) perde grande parte da sua riqueza e/ou poupança.

Agora é a CNN que nos reporta que o ISK (Coroa Islandesa) perdeu qualquer valor no mercado internacional:

Iceland’s currency is now non convertible. That means it technically has no value whatsoever and can not be used to purchase any needed imports. The Icelandic Central Bank has raised interest rates to 18% (Think about what that means for mortgages and credit cards for a moment) and has negotiated a large loan from the IMF in the hope that the Icelandic currency can become convertible again.

At the moment, Iceland has to pay for all imports with it’s limited reserves of foreign currency which are fast running out and it is in urgent negotiations with Nordic countries and with Russia to secure emergency loans.

According to Bloomberg, supermarkets in Iceland are resupplied each week, no supplies have arrived in the last two weeks and managers are saying that they don’t know when the next deliveries of supplies are expected.


Obviamente as reservas do Banco Central Islandês não são eternas e a solução encontrada só pode ser usada a curto prazo (é para isso que são as reservas). Deveria a Islândia ser o motor para um novo sistema monetário?

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Inflação ou deflação

Saíram hoje os resultados da inflação na zona Euro apontando para os 3.2%. É verdade que a tendência é de queda mas quando já se ouvem os gritos de deflação há tanto tempo não seria de esperar um pouco mais?

Artigos Relacionados:
Inflação Monetária
O que é a inflação?

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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Prata - Anomalia no mercado? (IV)

Relançar o tópico (para quem é novo vale bem a pena ler os tópicos antigos sobre o mesmo assunto) para esclarecer que depois de uns e-mails trocados com o fornecedor já tenho todo o metal em minha posse e eles passaram a anunciar no próprio site que estão com problemas de entrega de alguns artigos de ouro (nomeadamente Philarmonikers e Maple Leafs).

Portanto... gente séria até prova em contrário mas sempre confirmar como referi anteriormente.

Aproveito já que aqui estou para relançar o tópico dos spreads em prata comparando com os 3 dealers que tinha mencionado em Agosto.

CoinInvest (Europa) - 78% sobre preço spot (já chegou a estar acima de 100% no inicio deste mês e portanto parece que a prazo a normalidade procura voltar).

APMex (USA) - 88% sobre preço spot. Para ordens superiores a 20 onças fica a 82% e para ordens superiores a 500 onças fica a 77%

Kitco (Canada & USA) - Este é o mais interessante porque foi o unico dealer que eu acompanho que pura e simplesmente não aumentou os prémios. O resultado é óbvio, não tem nada em stock há algumas semanas.

É possível na Kitco comprar barras de 1000 onças com prémio justo e entrar em "contas alocadas" em que guardam o material por nós mas já sabem que para isso prefiro o ETF. Tendo em conta que a Kitco ainda não ficou sem barras de 1000 onças parece querer demonstrar que o problema de pouca prata no mercado se continua a restringir a metal de baixa denominação.

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terça-feira, 28 de outubro de 2008

Tesourinhos Económicos

No seguimento do tópico anterior deixo aqui alguns tesourinhos económicos do Youtube onde se pode ver como pessoas informadas viram a crise bem a tempo e propuseram soluções. Fica então a lista de video.

Esta discussão é de Agosto de 2006. Enquanto um debita a ilusão de riqueza produzida pelo FED Peter Schiff fala de dinheiro a sério e riqueza realmente acumulada.

Em 2007, enquanto o Bull Market respirava o seu ultimo fôlego, Peter Schiff continuava a ser apenas um alarmista a prever o fim do mundo. Os avisos que faz sobre o problema do sub-prime são completamente ignorados.

Ainda em 2007, Bill Bonner repete o que anda a dizer desde 2001... que os erros dos bancos centrais, bancos generalistas, dos investidores e dos consumidores têm que ser corrigidos.

Em 2008 Peter Schiff continua a ser gozado. Pode-se ver no quadro, enquanto o outro comentador vai dizendo que estamos no fundo do mercado, que o Dow Jones estava acima dos 11000 pontos. Hoje esteve a 8000...

Também este ano (já aqui coloquei videos mais antigos (1995)) podemos ver Ron Paul, este ano candidato presidencial nos EUA derrotado por John McCain nas primárias, a falar com o actual presidente da Reserva Federal sobre o estado do dolar e a inflação monetária.

São apenas alguns exemplos que aqui vos deixo demonstrando como a crise foi prevista por intervenientes que acreditam que apenas os mercados livres a podem resolver (com alguma dor como é natural) e que apontam o dedo aos mercados que se fazem passar por livres (como as taxas de juro). Curioso como ainda hoje uns são gozados ou até repudiados pela comunicação social enquanto os que nunca viram nada disto a acontecer vêm agora apontar soluções... é importante decidir em quem queremos acreditar e que conselhos queremos seguir.

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Premonições de uma crise anunciada

Manuel Alegre teve “premonições” desta crise financeira. Segundo o próprio já por duas vezes, em 1999 e 2004, tinha alertado o PS (em congresso interno) de que a “falta de regulamentação” e os “excessos dos mercados financeiros” dariam nesta crise que hoje enfrentamos. Junte-se ao clube, não conheço nem um único liberal (daqueles que acreditam nos mercados livres, não dos que acreditam nos livres quando sobem e nos governos quando o mercado desce) de mercado que não tenha previsto esta crise. Não conheço nenhum capitalista (daqueles que acreditam que o capital é uma força mobilizadora da economia e não aqueles da banca que acreditam que promessas de capital futuro é a mesma coisa que capital real) que não tenha alertado para as origens desta crise no nosso actual sistema monetário.

É aliás a grande diferença entre os que choram pelo Estado e aqueles que acreditam nos mercados. É que uns chamam-lhe crise financeira e os outros chamam-lhe crise monetária, coisas bem distintas. Tal como as crises identificadas são distintas também as soluções são distintas bastando ver algumas propostas de ambos os lados.

Solução proposta por liberais para uma crise monetária:
- Deixar as empresas (incluindo bancos) insolventes falharem
- Deixar o mercado agir naturalmente no seu processo de descoberta de preço justo
- Pagar a dívida (dos privados e dos Estados)
- Terminar ou reduzir os sistemas de reserva fraccional que exponenciam a criação de crédito
- Voltar a devolver valor ao dinheiro através de um padrão ouro ou de uma qualquer moeda que tenha ligação a bens físicos (além do papel em que são imprimidas)
- Terminar com os Bancos Centrais e com o monopólio que eles têm sobre as taxas de juro, é reconhecido pela maior parte dos economistas liberais que a crise actual está em parte ligada às baixas taxas de juro que como se sabe são reguladas pelos Bancos Centrais e Governos e não pelo mercado (apesar de se apontar frequentemente o dedo ao mercado como culpado de tudo).

Solução proposta por estadistas para uma crise financeira:
- Regulamentar os mercados (ninguém diz muito bem como mas será que o Estado vai passar a determinar quanto é que alguém pode pedir emprestado?)
- Criação de novas instituições internacionais ou dar novos poderes ao FMI e ao Banco Mundial (qualquer pessoa informada sabe bem as consequências que as politicas do FMI tiveram em países em desenvolvimento como a Indonésia, Argentina e Etiópia entre outros… é a esta gente que queremos dar mais poder?)
- Endividar mais o Estado para lançar grandes projectos de investimento (aeroportos, TGVs, etc. – se ambos os lados reconhecem que o excesso de crédito nos privados esteve relacionado com a crise não percebo como os estadistas pensam resolver o problema com excesso de crédito pelo Estado)
- Dar emprego às pessoas, Sarkozy anunciou hoje que vai dar emprego a 100 mil franceses (não explicou para que são estas pessoas ou que empregos lhes vai dar, mais uma vez interfere com o mercado de emprego criando oferta artificial. Qualquer livro de economia ensina quais são as consequências deste tipo de movimentos mas infelizmente para se ser presidente da UE não é preciso saber ler)
- Comprar empresas falidas para garantir os mercados de crédito (sem comentários…)
- Quando os bancos se recusam a emprestar dinheiro o Estado empresta directamente às empresas (através de divida do Estado)

São, mais ou menos, estas duas propostas que estão em discussão, a primeira que passa em muitos pontos completamente despercebida e sem nenhum tempo de antena na comunicação social e a segunda que todos os dias nos invade as nossas salas de jantar com Manuel Alegre, Sócrates, Sarkozy, Barroso, Gordon Brown e Bush (ou Paulson) sempre a bater na mesma tecla. O problema para eles é que o mercado de derivados não foi regulamentado… mais uma vez digo que esse é apenas um sintoma e não a causa. Se não tivesse sido permitido este sistema monetário bárbaro de papel-moeda nunca teria sido possível montar esses mercados, nunca teria sido possível multiplicar o crédito a estes níveis e nunca teríamos envolvidos num décimo da trapalhada em que estamos neste momento.

Assim, lá seguimos nós contentes e felizes para a regulamentação que a URSS já demonstrou (da maneira mais problemática) que não funciona. Mas Alegre é teimoso e acha que não vale a pena aprender com a História, não vale a pena aprender que regulamentar e planear o mercado causa perca de produtividade (e riqueza obviamente). Não vale a pena aprender que o padrão ouro foi responsável por séculos de prosperidade económica na Europa e que os mercados livres funcionaram quando lhes foi dada a oportunidade (desde o fim do sistema feudal).

Winston Churchill uma vez disse “podemos confiar nos Americanos para tomar a opção correcta… depois de esgotarem todas as outras alternativas”. Penso que podemos extender, hoje, esse pensamento aos Europeus, talvez ao fim de uma ou duas décadas da recessão a que nos condenam decidam fazer o que está certo e corrigir a raiz do problema: um sistema monetário insano.

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sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Pensamento do dia


"The central bank is an institution of the most deadly hostility existing against the Principles and form of our Constitution...Bankers are more dangerous than standing armies...(and) if the American people allow private banks to control the issuance of their currency, first by inflation and then by deflation, the banks and corporations that will grow up around them will deprive the People of all their property until their children will wake up homeless on the continent their Fathers conquered."


Thomas Jefferson - Um dos fundadores dos Estados Unidos da América


Em português (tradução livre):
"O banco central é uma instituição das mais hostis e mortains que existem contra os principios da nossa Constituição... Os banqueiros são mais perigosos que exércitos e se o povo Americano permitir que bancos privados controlem a emissão de moeda, primeiro pela inflação e depois pela deflação, os bancos e corporações que crescerão à sua volta irão privar o Povo de toda a sua propriedade até que as suas crianças acordem como sem-abrigos no continente que os seus pais conquistaram."

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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Problemas com fornecedor

Queria deixar aqui um alerta à navegação, já que "anunciei" várias vezes o serviço da CoinInvestDirect como seguro e de confiança. Fi-lo porque, obviamente, já usei os serviços deles várias vezes e sempre tive a mercadoria a tempo e horas na minha mão sem grandes problemas.

No entanto, com o mercado do ouro a seguir o mesmo caminho da prata (futuros andam para baixo e nas lojas os preços andam para cima) tive hoje a minha primeira experiência infeliz quando tentei comprar a minha "dose".

Fica o e-mail do suporte ao cliente:

Normally we are able to ship our customers' orders within the following 48h.
Unfortunately, due to some delays from one of our suppliers the 1oz Philharmonic gold you ordered will only be available by early to mid November. Therefore your order will only be shipped by then.

Please be assured your order is being followed, the stock is all reserved for you and will be shipped as soon as we have the coins available at our warehouse.


Isto é inaceitável por várias razões. Primeiro porque andam a anunciar no site produtos que não têm em stock quando me garantiram em e-mails anteriores (colocados aqui aliás) que quando não há stock retiram o produto da listagem. Em segundo lugar porque andam a cobrar prémios de mais de 100 euros em relação ao preço spot (cerca de 19%) e querem que os clientes aguardem.

Fica pois o aviso feito à navegação, eu terei um problema sério para resolver com esta gente mas este tópico é principalmente para aqueles que pensam ainda vir a comprar de qualquer dealer que seja: confirmar sempre o stock.

Apenas também queria relembrar que a Philarmonica é a moeda da Mint Austríaca que tinha aqui mencionado há poucas semanas por estarem já a trabalhar com 3 turnos diários e produção ao fim de semana. São aliás parceiros directos da CoinInvest e seus fornecedores e é fácil de assumir que o atraso de três semanas vem directamente da fábrica.

O mercado de futuros deixou de ter qualquer relação com o preço do ouro e da prata (pelo menos em pequenas quantidades) e esta queda vertiginosa nos preços do COMEX irá ter muitas consequências (negativas) futuras no mercado quando os extractores de minério tiverem que desistir devido à reduzida margem que cada vez se estreita mais com os custos de energia e mão de obra a aumentar. Sendo que uma falta de ouro no mercado não será certamente o fim do mundo é bom lembrar que a prata tem muitas aplicações industriais que a médio/longo prazo certamente se ressentirão.

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Gold Futures And Coins Out Of Sync

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terça-feira, 21 de outubro de 2008

Ouro no Financial Times

Um pequeno vídeo (em inglês) sobre o mercado de ouro físico foi recentemente publicado no Financial Times.

Nada eufórico e bastante ponderado, demonstrando não só as vantagens como as desvantagens de possuir este metal precioso vale a pena ver para aqueles que ainda não têm a protecção que o ouro fornece.

Link

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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Europa inquieta

A Europa anda à beira de um ataque de nervos... Ele é Gordon Brown a nacionalizar a banca, é Sarkozy a pedir uma cimeira internacional, é Barroso a encontrar-se com Bush e é Merkl a apoiar todos os passos.

A Europa, que nunca se entende em nada que alguma importância tenha, parece que anda mais unida demonstrando que são as crises que nos unem. Especialmente quando o que nos une é o facto de estarmos todos "entalados" com o mesmo problema. Citando o antigo secretário do Tesouro no tempo de Nixon, John Connally:
The USD is our currency but your problem.

Em português: O Dolar Americano é a nossa moeda e o vosso problema.

E é este o problema que inquieta a europa. O problema de terem vendido o seu ouro para encher os seus bancos centrais de papelinhos americanos que a cada dia que passa valem menos.

É assim, com um misto de esperança e de medo (porque nunca se sabe que aberrações são capazes de sair da mente dos politicos), que espero pela tal reunião internacional para rever o "sistema financeiro mundial". Começamos mal pelo nome que o presidente Francês escolheu, o problema está no sistema monetário e não no financeiro mas haja esperança que mentes sãs prevaleçam e que o dinheiro honesto possa voltar às nossas vidas.

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"Helicóptero" Ben

Ben Bernanke, o actual presidente da Reserva Federal dos EUA (mais conhecida simplesmente como FED ou o banco central americano) ganhou a sua alcunha de "Helicóptero" quando ao pronunciar-se sobre a grande depressão (caracterizada por uma forte deflação tanto da massa monetária como dos preços nominais dos bens) comentou que nunca deixaria que algo assim se voltasse a repetir. Se necessário distribuiria notas a partir de helicópteros para impedir que os EUA atravessassem de novo uma crise como a de 1929.

Falo nisto, particularmente hoje, porque o presidente da FED acabou de ir testemunhar ao Congresso sobre os passos que estão a ser tomados para enfrentar a "crise" financeira que não dá tréguas. Entre outras coisas o Sr. Bernanke pediu que fosse feito mais um pacote de estimulo à economia, ou seja, que os helicóteros levantassem vôo novamente e distribuissem algumas notas aos contribuintes. De onde vêm estas notas? Dos contribuintes claro (vulgo departamento do Tesouro), mas estes como não as têm então irão endividar-se, segue o lema "consumir hoje para pagar amanhã".

Desde que iniciei este blog (até antes) que venho a dizer que seria esta a solução preferida para a crise pelos bancos centrais e pelos politicos. Inflar a base monetária para que os devedores consigam sair da dívida à custa daqueles que pouparam e foram inocentes o suficiente para manter todas as suas poupanças em dinheiro vivo - ser honesto num mundo criminoso não compensa.

Mas o pior é que apesar de Ben Bernanke ter estudado com cuidado as lições de 1929 parece já não ter tido o mesmo cuidado ao estudar a crise Asiática (principalmente no Japão e curiosamente também depois de uma bolha de crédito com especial incidência no mercado imobiliário) dos anos 80. Também os Japoneses tentaram inflar a moeda, também eles distribuiram cheques pelo correio e também eles, passados mais de 20 anos, não conseguiram ainda recuperar dos excessos cometidos. Qualquer leigo poderia aqui encontrar argumentos para demonstrar que a actuação dos Governos e Bancos Centrais apenas serve para prolongar o sofrimento das populações e não para resolver o que quer que seja mas pelos vistos os Doutores e as suas teorias Keynesianas (que curiosamente não conseguiram prever a crise) pensam demonstrar o contrário... mais uma vez pagaremos todos pelos erros de meia duzia de pessoas nas cupulas do mundo.

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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

É tudo papel

Na navegação diária pela internet encontrei este video com uma discussão bastante interessante entre Bill Pool (antigo presidente do Banco Central de St. Louis, parte da reserva federal dos EUA) e Peter Schiff um dos poucos analistas que já desde 2006 (talvez antes) vinha a anunciar o desenrolar desta crise com base em crédito excessivo.

Vale a pena ver, saliento a parte, para mim, mais relevante:
Peter: Fundamentalmente não há diferença nenhuma entre a moeda que os EUA imprimem ou o Zimbabwe... é tudo papel, não há mais nada.
Bill: Não discordo com o que disse.

Um ex-membro do mais poderoso Banco Central do planeta acabou de equiparar o dolar americano com um dolar do Zimbabwe e reconhece que têm ambos o mesmo valor intrínseco... há progressos, talvez um dia decidam mesmo revolver o problema.

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quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Pensamento do dia...

"Não há forma de evitar o colapso final do crescimento artificial provocado pela expansão de crédito. A unica escolha é apenas decidir se a crise deve vir rapidamente através do abandono voluntário de mais expansão de crédito ou se, por outro lado, devemos adiar e esperar uma total catástrofe para o sistema monetário envolvido"

- Ludwig von Mises , Fundador da "Corrente Austríaca de Economia"

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terça-feira, 14 de outubro de 2008

Editorial do Metro

O jornal Metro é normalmente a minha leitura matinal enquanto me desloco para o trabalho e a forma como me vou mantendo a par do país normalmente (e a TSF, para televisão vou tendo pouca paciência). Infelizmente o jornal nem sempre é correcto e há alguns editoriais que me parecem sempre um pouco estranhos, fica o meu comentário ao de hoje.

O editorial de hoje apresenta-nos primeiro uma inverdade ao afirmar “Quando se deu o grande crash de 1929 o governo americano demorou três anos a intervir na economia”. Isto é falso porque o governo interveio muito rapidamente. Entre outras acções aumentou os impostos e as tarifas alfandegárias sufocando o mercado livre e dando um tiro no pé pois obviamente os outros países ripostaram na mesma moeda e os EUA foram incapazes de exportar os seus produtos competitivamente. A própria reserva federam agiu em 1929 tentando colocar “água na fervura” dos mercados e contraindo o crédito que foi aliás a razão que precipitou o crash bolsista quando quem negociava em margem teve que liquidar as posições fosse a que preço fosse. Os máximos bolsistas de 1929 apenas foram ultrapassados 25 anos depois… é bom lembrar nesta altura em que as pessoas tendem a agarrar-se às suas acções dizendo que é um investimento para o longo prazo… é que pode ser mesmo longo.

Perante todas estas medidas tomadas pelo Governo dos EUA na altura não se pode criticar em nada a mão invisível. Esta serve para regular os mercados, não pode infelizmente esbofetear os governantes nem em 1929 nem em 2008 e portanto teremos que viver com o que temos. É também importante notar que se criticamos as medidas tomadas em 1929 não quer automaticamente dizer que tomar as medidas exactamente contrárias funcione (neste caso baixar os impostos e aumentar a liquidez)… não há garantias que funcionem estas medidas e enquanto não deixarmos o mercado ir até onde tem de ir apenas prolongaremos os nossos males.

Mas o mais grave do artigo está certamente no ultimo paragrafo, dando a entender aos leitores que o que nos vai salvar desta trapalhada é o consumo. Se não for dos indivíduos ou empresas privadas então terá de vir do estado (parece que o estado é capaz de tudo, uma nova religião para o século XXI) o autor não explica de onde virá o dinheiro do estado para consumir, presumo que não queira aumentar os impostos durante uma recessão o que nos deixaria apenas com a hipótese de aumentar a dívida pública. Pretende o editor combater o problema do crédito excessivo do privado com crédito excessivo pelo sector publico como se fosse algo diferente… não o é e teremos todos que o pagar mais tarde ou mais cedo (ou seguirmos o caminho da Islândia).

Apenas posso presumir que o editor está a pedir para a Europa um “New Deal” semelhante ao de 1933 protagonizado por Franklin D. Roosevelt. É importante saber como é que FDR financiou o seu “negócio”. Primeiro roubou compulsivamente todos os cidadãos americanos da sua posse de ouro, de seguida utilizou esse ouro para vários projectos públicos a maior parte dos quais nos assombram hoje com a sua capacidade de gastar dinheiro exponencialmente (a segurança social, a Fannie Mae e a Freddie Mac são apenas algumas das instituições criadas por FDR) e no fim quando o ouro já não chegava decidiu inflar artificialmente o preço do ouro dos $20 para os $35 destruindo assim em mais de 60% o poder de compra dos dólares americanos que ele tinha dado aos cidadãos em troca do ouro que os obrigou a entregar (e os proibiu de usar para negociar entre si).

É bom que percebamos que o Estado não é omnipotente. Se pode efectivamente criar dinheiro (hoje em dia é só adicionar números no computador do banco, nem é preciso imprimir as notas) não pode através desse feito criar riqueza, esta só pode ser criada através do trabalho de cada um. Não é por o Estado imprimir notas que as batatas nascem sozinhas na terra ou os carros surgem em Palmela feitos como por magia – repito, a riqueza real só é criada através do trabalho dos homens, não há milagres e temos que ter isso em conta quando rezamos ao Estado para nos dar uma solução.

Eu atreveria-me a sugerir que um problema de crédito excessivo só conseguirá ser ultrapassado quando se conseguir ter um nível de poupança suficiente. Sugiro aliás que um sistema capitalista necessita de capital (e não de promessas de capital futuro) para funcionar… mas com presidentes de bancos a dizerem-nos que uma “dívida é poupança futura” já acredito em tudo, até que um qualquer Primeiro Ministro por esse globo fora possa ser Jesus reincarnado.

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segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Está tudo bem...



Está tudo bem! Aterrei em cima de um contribuinte...

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domingo, 12 de outubro de 2008

Garantias...

No espirito do tópico recente (Porquê comprar ouro?) temos as noticias do fim de semana das reuniões do G7 e das medidas do governo Português para garantir os depósitos e os emprestimos interbancários.

O sistema bancário/monetário é baseado em fé. Estas medidas, espalhadas pelo mundo, são o equivalente de jogar à roleta russa com as populações e apenas ter uma câmera vazia. Os Estados chegam-se à frente com a garantia para aumentar a fé no sistema e a partir daqui as pessoas ou sossegam ou não sossegam. Se não sossegarem terão mesmo de activar estas garantias.

E de onde virá todo este dinheiro? Ele não existe... terá de ser criado para este efeito (ver artigos Inflação Monetária e O que é a Inflação?) - na melhor das hipóteses será feito através da emissão de divida publica que os contribuintes terão de pagar no futuro mas esistem cenários piores.

Os Governos meteram a arma na cabeça, acertaram na câmera vazia?

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Como comprar ouro?

Espero que ninguém leia este tópico sem ler o anterior e perceber o porque é que se deve comprar metais precisos.

Para quem aplica as suas poupanças no mercado de capitais e pretende apenas ter parte do seu portfolio exposto aos metais precisos existem dois ETF negociados na bolsa de New York que garantem essa exposição. Os mais conhecidos são o SPDR Gold Trust (GLD) e o iShares Silver Trust (SLV). Não recomendo esta exposição sem primeiro ser assegurado uma exposição física e real aos metais em si porque com transacções em bolsa não estamos protegidos contra o risco sistémico do sistema monetário. Caso ele aconteça não é garantido que tenhamos acesso ao metal se precisarmos dele para trocas comerciais e assim perdemos grande parte da utilidade do nosso investimento.

Quanto a adquirir o metal em si o mais fácil é visitar o balcão do seu banco. A maior parte vende pequenas barras de ouro (a partir de 1 grama).

Existem também várias moedas de vários países que são feitas completamente em ouro e/ou prata. Uma grande vantagem do ouro em relação à prata em Portugal é que a prata, ao contrário do ouro, paga IVA o que é ridiculo pagarmos um imposto sobre o dinheiro que poupamos mas assim são as leis do nosso país.

As moedas mais conhecidas são as Krugerrands (Africa do Sul), Buffalo (EUA), Gold Eagles (EUA), Maple Leafs (Canadá) e Philarmonicas (Austria) tendo estas ultimas a vantagem de ter um valor facial em euros (que obviamente é inferior ao valor da moeda). Todas estas moedas têm o peso de 1 onça Troy (31.10 gramas) e têm elevado grau de pureza (99.9% - a Gold Eagle tem um pouco menos mas isso é reflectido no preço).

Para os pequenos investidores as moedas serão certamente a forma mais fácil de ter acesso a ouro puro no entanto para quem quer ter acesso a uma maior quantidade de metal o mais fácil serão as barras de metal oficializadas pela LBMA (London Bullion Market Association). Para a prata são barras de 1000 onças (31.10 Kg) e para o ouro são barras de 400 onças Troy (12,44 Kg). Estas vêm com cunha e número de série para comprovar a autenticidade delas.

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Porquê comprar ouro (ou prata)?

Perguntam-me várias vezes como é que se pode comprar ouro ou estar exposto aos metais preciosos. Irei responder a essa questão mais à frente mas é importante perceber porque é que se deve comprar ouro para que não haja ilusões.

Quem quer ganhar "dinheiro" com o ouro (euros) não vale a pena seguir o resto do meu artigo. A unica maneira de ganhar dinheiro com ouro é através de especulação a vender/comprar em pontos chave do mercado ou recurrendo à alavancagem no mercado de futuros ou ETFs (Exchange Traded Funds) próprios. Isto eu considero que é para os profissionais ou os que aspiram a sê-lo e que negoceiam o ouro como se fosse outra commoditie qualquer. É dificil fazer dinheiro com ouro porque ouro é dinheiro.

Muito antes de termos dolares, euros, libras e tudo o mais os estados e os povos negociavam entre si com moedas de ouro e prata. Este era o dinheiro. Este meio de comércio acabou por falhar devido às grandes dividas que os Estados contraíram especialmente durante as Grandes Guerras durante o século XX devido à necessidade de comprar armamento e pagar aos soldados mas haver um limite quanto ao ouro que podiam ter. Assim recorreram à impressão de papel moeda que podia ser criado muito mais facilmente... não querendo entrar aqui em detalhes quero só deixar claro que foi em 1970 que a ligação do sistema monetário com o ouro foi completamente quebrada.

O sistema actual tem portanto pouco mais de 30 anos e o que mais convém recordar da história é que nenhum sistema de papel moeda (vários foram tentados pelos governantes por razões óbvias) sobreviveu. Acredito que a história não se repete mas rima e eventualmente este sistema monetário encontrará o mesmo destino de todos os outros que abandonaram o ouro.

É pois importante pensar quando compramos ouro não que estamos a fazer um investimento mas que estamos a fazer um seguro. Caso o sistema monetário falhe as poupanças estão asseguradas pelo valor intrinseco do ouro. Poderia dar exemplos da Republica Alemã no pós-guerra em que as notas do Estado não valiam rigorosamente nada (eram queimadas para aquecer as pessoas nas noites frias) mas temos um exemplo bem mais recente que é o da Islândia. Em dois ou três dias quem tinha as suas poupanças nos bancos Islandeses perdeu grande parte da poupança acumulada devido à desvalorização da moeda, quando assim acontece apenas os bens físicos de alguém valem alguma coisa e o ouro é dos mais valiosos e mais fáceis de guardar (devido ao reduzido volume) e é por isso que o recomendo.

Se algum dia virmos a onça de ouro a valer 5000 euros não foi o ouro que subiu muito de preço mas sim o euro que perdeu muito valor. Acredito que atingiremos esses valores pois os bancos centrair tentarão baixar os valores da moeda para ajudar a pagar as dívidas contraídas por todos. Quando os nossos pais/avós compraram vivendas por 5 mil contos e hoje elas valem 100 mil contos em grande parte não foi a casa que valorizou mas a moeda - o escudo - que perdeu valor e é isto que nos vai ajudar a sair da dívida, para os nossos filhos os 100 ou 200 mil euros por que se compram casas hoje vão também ser valores ridiculamente baixos para uma casa e portanto mais fácil de pagar para quem contraiu a divida originalmente.

Obviamente que o efeito é maléfico para quem poupa. Se deixarmos hoje 100 mil euros debaixo do colchão daqui a 20 ou 30 anos pouco valerão. Mesmo num depósito a prazo com o BCE a tentar reduzir as taxas de referência não valerá muito mais, nem o milagre do juro composto nos pode salvar. No entanto o ouro terá sempre o seu valor intrínseco e funciona como uma forma de poupança além do ponto anterior em que nos protege de uma falha sistémica no sistema monetário.

Os valores altos que estamos a ver agora para o ouro (máximos históricos em euros) são próprios de um clima de pânico em que a confiança no sistema foi perdida. Se o sistema conseguir ultrapassar esta crise é provável que não voltemos a ver novamente estes valores nos próximos 20 anos e não posso obviamente dar garantias se o preço, quando medido em euros, vai para cima ou para baixo. No entanto, o que é mais fácil de prever é que se hoje uma onça de ouro compra cerca de 70 Kg de carne de vaca então no futuro continuará a fazer o mesmo - é assim o seu papel de guardador de riqueza.

Estará sujeito às pressões inflacionárias e deflacionárias tal como todos os outros produtos do nosso dia a dia (não nos conseguirá proteger dos aumentos do petróleo se estes forem produtos de um diferente equilibrio da procura/oferta e não mereamente da inflação) e assim será até ao sistema falhar e continuará a proteger-nos contra as medidas inflacionárias dos estados e bancos centrais.

É preciso lembrarmo-nos da analogia do seguro. Provavelmente, tal como no seguro de uma casa, não vamos gostar do dia em que ele for activado (como não gostamos que a casa pegue fogo só para ter o dinheiro do seguro) mas vamos ficar contentes de o ter feito em tempo util.

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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Aproveitamento dos bancos (II)

Há pessoas que não percebem e há outras que não querem perceber. Preferem ser vitimas das gasolineiras, dos bancos, dos patrões… preferem tudo menos pensar pela própria cabeça. Quanto a estes não posso fazer nada, em relação aos que tentaram perceber o meu artigo anterior e não conseguiram deixo, mais em baixo, os gráficos representativos das taxas EURIBOR a 3 e a 12 meses.

A taxa de desconto esteve entre Junho de 2003 a Dezembro de 2005 estipulada pelo BCE a 3% (desceu em Junho de 2003 de 3.5% e subiu em Dezembro de 2005 para 3.25%). Obviamente ninguém nesta altura se queixou de que a taxa que pagava era indexada à EURIBOR e não ao BCE. Acredito que não seja por malvadez ou por serem “Chico-espertos”, simplesmente não faziam a mínima ideia no que se estavam a meter e também não se quiseram informar.

De qualquer das formas ficam os gráficos demonstrando como todos os que se endividaram beneficiaram (em contraste a uma taxa que fosse indexada ao BCE) durante vários anos.

2003:


2004:


2005:


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Aproveitamento dos bancos

O povo é assim, quando as coisas correm mal arranjam sempre alguém a quem bater. Depois de se culpar a GALP pelos impostos da gasolina agora culpam-se os bancos pelos empréstimos que as pessoas contraíram sem pensar.

O ultimo ataque que apareceu hoje no Caldeirão é que os malandros dos bancos continuam a cobrar uma taxa EURIBOR + spread a 5,4% (no caso de EURIBOR a 3 meses) enquanto se financiam através do BCE a 3.75% (taxa de referência).

Desmonto em baixo o mito pois não é assim que as coisas funcionam e os que se queixam agora são os mesmos que se queixariam se o sistema estivesse diferente como demonstro em baixo:


Os bancos não se financiam através do BCE, até há 27 horas atrás o BCE não era o ATM da esquina. Mais, a taxa que o BCE determina não é uma lei divina mas sim um alvo a atingir, quando se desvia muito do alvo pretendido são feitas operações de compra/venda nos titulos de divida publica para recolocar a taxa no caminho pretendido.

Um banco privado financia-se, normalmente, pela EURIBOR e o que ganha com o empréstimo é o spread, esteja ela a 2%, 5% ou 10%.

Além da taxa de referência existe a taxa de desconto, normalmente 0.5% acima da de referência que é ao que o BCE empresta efectivamente. Existem no entanto várias razões para um banco privado preferir a EURIBOR à taxa de desconto.

1) Questão de imagem. Um banco que recorre à taxa de desconto dá a ideia que não se consegue financiar normalmente e pode originar desconfiança nos seus clientes piorando de facto a sua situação. Esta razão foi atirada para trás das costas quando se viu que todo o sistema financeiro está comprometido e portanto não há imagem a salvaguardar.

2) A EURIBOR situa-se normalmente entre a taxa de referência e a taxa de desconto de maneira que não é economicamente viável recorrer à taxa de desconto.

3) O BCE era exigente com o colateral que aceitava para financiar à taxa de desconto. A EURIBOR é muito mais liberal e portanto permite outros níveis de financiamento

Posto isto é normalmente vantajoso estarmos a associar uma taxa varável à EURIBOR e não à taxa de desconto do BCE, acontece que não estamos em tempos normais e obviamente não faz sentido a um banco que está a atravessar dificuldades ir renegociar os contractos que estão feitos para os indexar a uma nova taxa de juro... além de que depois tinham que aturar novamente esta gente toda se as condições voltessem à normalidade e os bancos financiavam-se a uma taxa de 3% na EURIBOR e os empréstimos estava indexados a uma taxa de desconto de 3,25%

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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

A Islândia explica...

Os que acompanham este blog desde o inicio já sabem porque é que recomendo ouro e prata nestes tempos conturbados. Para os que não sabem a Islândia explica neste gráfico em baixo onde podemos ver o preço do ISK (moeda nacional Islandesa - Krona Islandesa) cotado em Euros:



No inicio deste mês 1 EUR valia cerca de 150 ISK, passados poucos dias vale cerca do dobro (ou seja 1 ISK passou a valer metade). Pensem bem no que isto significa, de que vale a garantia do Governo sobre os nossos depósitos se depois não conseguimos comprar nada com ele (tudo custa o dobro)?

Os Islandeses que guardaram as suas poupanças em ouro podem dormir mais descansados sabendo que também o seu ouro duplicou de preço quando cotado em ISK.

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terça-feira, 7 de outubro de 2008

Ouro: Máximo histórico!

Para quem me acompanha sabe que há meses que aconselho comprar prata e ouro para protecção de riqueza no meio da crise que nos rodeia. Estou convicto que os governos e bancos centrais tentarão re-inflar a economia para tentar afastar o cenário de uma depressão deflacionista.

Continuo sem saber se vão conseguir os resultados esperados ou não mas sei que quem beneficia habitualmente desta tendência de se gastar o que não se tem são os metais monetários, prata e ouro.

Fica o gráfico da cotação do ouro, em Euros, mostrando hoje um novo máximo histórico a 654 Euros, 2 Euros acima do máximo de Março.



Actualização (08 de Outubro): Entretanto o ouro continua a subir com as tenções nos mercados de capitais a não darem sinais de abrandar e faz novos máximos nos 670 Euros por onça Troy

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sábado, 4 de outubro de 2008

Capa da revista Time

No dia em que o Congresso chumbou o plano o mercado desceu porque o plano era preciso.

No dia em que o Congresso aprovou o plano o mercado desceu porque acha que não vai resolver o problema.

Cada americano (incluindo crianças) ficou endividado em mais $2000 para pagar este plano.

Na semana em que nos garantiram que o remédio para todos os males estava encontrado e que a confiança está de volta aos mercados eu só consigo encontrar uma explicação para a queda dos mercados (já que não podem ser os short-sellers que ainda estão proibidos de trabalhar): A comunicação social!



Então quando isto estava a correr tão bem era preciso uma capa destas? Não há confiança que resista...

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Frase do dia

"Liquidate labor, liquidate stocks, liquidate the farmers, liquidate real estate … It will purge the rottenness out of the system…values will be adjusted, and enterprising people will pick up the wrecks from less competent people…"

Andrew Mellon, Secretário do Tesouro dos EUA

Parece que em 1928 ainda acreditavam nos mercados livres...

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sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Tem uma moedinha?

Desta vez vai ser realmente diferente...

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terça-feira, 30 de setembro de 2008

Maior queda dos ultimos 20 anos

Ontem o Nasdaq perdeu quase 10%. O Dow Jones e o S&P500 passaram os 8% de quedas originando a maior queda dos mercados bolsistas desde 1987 e foram retirados do mercado cerca de 1.2 Biliões de euros (ou trillions em americano).

Convinha apenas lembrar que isto aconteceu quando as vendas curtas (que referi aqui recentemente) foram proibidas pelo SEC, gostava de saber quem foram os responsáveis agora e porque é que ninguém culpa a SEC de ter retirado parte importante da liquidez do mercado (que era gerada exactamente pelos short-sellers).

Se algum responsável houve ontem pela descida histórica foi a SEC pela sua interferência no mercado.

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domingo, 28 de setembro de 2008

Nacionalizações alastram à Europa

O Reino Unido, outrora visto como o único país Europeu com respeito pelos mercados livres acaba de nacionalizar mais uma empresa (já tinha nacionalizado a Northen Rock o ano passado) segundo nos reporta a Bloomberg.

Desta vez é a Bradford & Bingley Plc que não surpreendetemente era uma das maiores empresas a emprestar dinheiro aos proprietários de casas nos Reino Unido.

As massas continuam a aplaudir os "esforços" dos Governos em "salvar" o sistema, concentrando cada vez mais poder politico e económico demonstrando que a unica coisa que aprendemos com a história é que não aprendemos com a história.

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quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Prata - Anomalia no mercado? (parte III)

Os que me acompanham regularmente sabem bem que recomendo a compra de ouro e prata física como protecção de riqueza contra a irresponsabilidade dos Estados e dos Bancos Centrais mundiais que não param de injectar liquidez nos mercados.

Já tinha aqui descrito (na parte I e II em Agosto) que existe uma divergência entre o mercado de "prata-papel" (futuros, ETFs, spot, etc.) e o mercado "normal" de rua onde se pode ir à loja e comprar prata directamente.

Felizmente não fui o único a reparar que o mercado de papel e o mercado físico estão em completa divergência e que um destes mercados tem de estar errado (assunção minha que é o de papel que está errado) e a CFTC vai lançar uma operação de investigação sobre a operação dos dois bancos que estão a vender curto 25% da produção mundial (anual) de prata.

Não que espere grandes conclusões mas ficarei a aguardar o relatório com curiosidade.

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A escola (III)

Li esta segunda feira no jornal Metro que a Confederação Nacional de Associações de Pais vai reunir para discutir qual a utilidade dos exames nacionais nas escolas.

Parece que os filhos coitados não conseguem passar com muito boas notas. Obviamente a culpa é dos exames, os filhos não podem ser estupidos porque saiem aos pais. Esta gente que se prepara para condenar o ensino publico a uma mediocridade ainda maior que a actual é a mesma gente que me vai forçar a meter o meu filho no ensino privado onde ainda haja um mínimo de padrões de qualidade que lhe dêm acesso a uma educação decente depois de destruírem o ensino publico.

E o cómico é que esta mesma gente vai ser quem vai criticar o meu filho por ser de "familias ricas" e que tem uma "vantagem desleal" no acesso ao mercado de trabalho. É esta gente que me dá vómitos e me tira o sono.

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Revolta!

Ler Ayn Rand é algo que nunca tinha experimentado. É algo novo que não consigo descrever concretamente, é um sentimento de descoberta como se sempre tivessemos sabido que algo de errado estava a acontecer no mundo mas so agora descobrimos concretamente o quê. É um sentimento de tristeza ao vermos o que realmente nos rodeia.

Quando tentei descrever este sentimento a um amigo lembrei-me de uma analogia muito simples com o filme Matrix. É como quando Morpheus nos dá a escolher entre o comprimido vermelho e o azul. Nós, claro, escolhemos o vermelho porque queremos saber tudo e mais alguma coisa e depois passamos a vida a torturar-nos "porque é que não escolhi o azul" ao percebermos as consequências de tudo o que vemos de novo no mundo... "ignorância é felicidade".

Vemos nas nossas empresas o triunfo da mediocricidade sobre a pró-actividade e o empreendorismo. Vemos no estado não uma entidade abstracta que nos (des)governa mas sim realmente os desejos mais intimos das pessoas. Têm vergonha de o admitir em publico mas na verdade todos querem algo em troca de nada. Ainda hoje me disseram "não protesto contra a Via do Infante porque uso muito a ligação à Covilhã", ou seja, não me importo que um alentejano seja expropriado para pagar uma auto-estrada que não uso porque sei que ele vai ser roubado novamente para pagar uma que vou usar.

E depois falam-me da moralidade. Como é moral tributar os cidadãos porque "o país não funciona sem transportes publicos". Como é imoral não querer pagar impostos para contribuir para "o bem comum" ... esse bem abstracto que consiste em atribuir subsidios "a quem mais precisa".

O desvirtuamento completo na nossa Assembleia da Republica da história de Robin dos Bosques em que o nosso primeiro ministro nos lembra que ele "roubava aos ricos para dar aos pobres". O povo adora, é isso que queremos... queremos o dinheiro dos ricos porque é necessário ao "bem comum". Como a comunicação social aplaude... sentir que sou a unica pessoa neste país indignada por uma história cheia de justiça ser roubada por um politico e adulterada para efeitos eleitorais. Já ninguém se lembra mas o verdadeiro Robin dos Bosques roubava os ladrões, o Xerife de Nothingham que era na verdade um ladrão (não era um rico qualquer) e que impunha decretos para roubar o produto do trabalho do seu povo. Robin dos Bosques roubava a um ladrão não para dar aos pobres mas para devolver a riqueza aos produtores da sociedade. Já o disse e volto a dizer, se Robin dos Bosques fosse escrito hoje, João Pequeno seria descrito como um parasita da sociedade que se recusava a pagar impostos para o bem comum.

Vemos ilusões vendidas pelos bancos, patrocinadas pelo Governo e empolgadas pelos media. Mas não faz mal porque é uma ilusão que as massas querem comprar. Vende-se a ilusão de que qualquer um pode ter uma casa, não interessa os rendimentos.

Anuncia-se a manipulação das taxas de juro a 2% para nos endividarmos de forma barata e quando corre mal colocamos os banqueiros nacionais na televisão a explicarem-nos que a divida não faz mal porque a divida é "Uma poupança futura" (Fernando Ulrich em Grande Entrevista).

Vemos o aumento dos subidios e abonos porque é isso que no fundo queremos... algo por nada. Vemos a descapitalização das empresas e o aumento do desemprego mas não faz mal porque é isso que queríamos, um bom subsidio para não produzir. Vemos o dinheiro a ser criado a partir do nada para pagar todos estes subsidios, vemos a inflação ameaçar todas as nossas poupanças e as reformas próprias de quem depende de um rendimento fixo e de quem poupou o pouco que tinha durante toda a sua vida. Mas não faz mal porque há mais notas para toda a gente... o povo gosta e o povo merece. Ninguém percebe que não é um pedaço de papel emitido por qualquer banco que cria riqueza mas apenas o produto do trabalho... e emitem-se mais bocadinhos de papel porque é isso que queremos: papel... algo em troca de nada.

Vemos a ignorância e a mediocricidade a triunfar um pouco por todo o lado... vemos que os poucos que produzem acabam por ser nivelados por baixo, reduzidos à incompetência daqueles que os rodeiam. Vemos tudo isto e achamos tudo normal, vemos a riqueza evaporar e perguntamo-nos porque tudo está mais caro, porque é os pequenos papeis que nos deram em troca da nossa preguiça compram tão pouco? E a culpa é atribuida imediatamente à ganância dos poucos que ainda produzem.

Eu só não vejo é a razão de porquê ainda haver alguém que produza... para quê? Para quê continuar a ser tributado quando podemos ter um subsidio isento de IRS? Para quê produzir se o estado me vai dar o produto do trabalho dos outros? Para quê investir se o que ganhar vai ser diluido pela criação de papel pelos bancos centrais? Para quê lutar contra a mediocridade?

Para quê a revolta?

Hoje... a revolta é apenas para me sentir vivo! Para alguém que esteja do outro lado do mundo e se identifique com estas palavras não sinta que está sozinho. Para alguém saber que ainda há pessoas com um código moral que condena a mentira e o roubo.

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quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Falhar?

O humor negro (ou será mesmo indignação) chega-nos dos sitios mais estranhos. Desta vez da sala de audiências onde Paulson e Bernanke tentam convencer os congressistas a pagarem $700 biliões por dívida tóxica.

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sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Pensamento do dia

"Existem 6.84 triliões de dolares depositados nos bancos norte americanos. Estes têm cerca de 240 biliões de dolares de liquidez. Os bancos não podem assegurar os depósitos"

“Investing in Chaos, The Storm is Here”
Darryl Robert Schoon, September 17, 2008


Ninguém se espante porque isto é perfeitamente normal e legal, é mesmo assim que funciona o sistema de reserva fraccional. O resto do dinheiro estará provavelmente em hipotecas que fazem a diferença... ou faziam... bom, não digam a ninguém porque senão ainda tentam levantar o dinheiro que lhes pertence.

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A morte dos mercados livres

Os mercados mundias sofreram hoje ondas de pânico, euforia, tristeza e indignação. A SEC (Securities Exchange Commision - uma espécie de CMVM americana) decidiu impedir a venda curta (short selling - uma das formas que os investidores podem usar para ganhar dinheiro em Bear Market) de 799 titulos de instituições financeiras. No Reino Unido já ontem tinha sido dado o mote.

Existiria tanto para comentar que nem sei por onde começar. Sinto que o mais interessante é que no fundo o maior sentimento é mesmo de indignação e não de surpresa, de uma maneira ou de outra todos já esperavam a manipulação do mercado desta forma. Deixo apenas um comentário curto da MarketWatch:


NEW YORK (MarketWatch) -- When Russia shut down its stock markets to avoid the global collapse sweeping the markets earlier this week, most of Wall Street shook its head.

The move smacked of totalitarianism and artificial manipulation, such a brazen intervention wouldn't happen in a free market.

Well, the Russians are having a good chuckle after Securities and Exchange Commission Chairman Christopher Cox, following the lead of the U.K.'s Financial Services Authority, initiated a ban in short selling for 799 U.S. financial institutions including Morgan Stanley , Goldman Sachs Group Inc. and Washington Mutual Inc. .

The move smacks of irony on several fronts. For one, institutions such as Morgan and Goldman regularly practice short-selling as part of their proprietary trading strategies. These firms made billions in profits by running hedge funds or serving them through prime brokerage operations. They shrugged when companies complained that short sellers were ruining their companies.

Now, Morgan's John Mack and Lloyd Blankfein of Goldman not only won a ban of naked shorting, but of all shorting of their industry. They also have persuaded New York State Attorney General Andrew Cuomo to investigate short selling in the market place.
Remember, short selling is perfectly legal. Manipulating prices through rumor isn't. But what is the SEC banning?

Eric Newman, portfolio manager at TFS Capital , said the SEC is doing exactly what claims to be against -- manipulating the markets and propping up ailing financial companies. They're doing it because the banks are essentially backed by taxpayers and have become politically important.

Our complaint through history about countries that try to influence their markets by changing the rules mid-game was that it was tantamount to cheating. For all of its faults, the U.S. markets were supposed to be the most level playing fields in the world.


E agora? O que nos resta?

Se a história for algum indicador vamos ver uma subida desmesudara dos índices accionistas nas próximas semanas ou talvez meses, no final iremos ter uma queda abrupta a níveis muito inferiores aos que vimos esta semana e aí os reguladores vão ter muita pena de não terem os especuladores a fecharem as suas posições curtas (a comprar acções) e a segurar o mercado mas isso não interessa nada... o que interessa é encontrar culpados para pendurar na praça publica em tempo de eleições.

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quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Como as injecções de liquidez afectam a inflação

Perguntaram-me hoje que relação tinham as injecções de capital com a inflação nos índices de preços ao consumidor. Aqui fica a minha resposta:

Existem várias teorias mas a mais fácil de perceber é simplesmente através do efeito procura/oferta. Existe mais dinheiro no mercado enquanto que os bens disponíveis para serem consumidos são os mesmos portanto é natural que eles subam em termos de dinheiro.

Note-se que o valor dos bifes continua o mesmo mas é o valor do dinheiro que baixa por este existir em excesso. Isto é o que eu considero a "inflação percepcionada" pelo consumidor. A inflação real é automática e é para mim simplesmente a taxa de crescimento do dinheiro disponível no mercado, simplesmente este dinheiro todo que é criado (e estamos a falar de percentagens com dois digitos) leva tempo a chegar ao consumidor final e às vezes demora anos para que a criação do dinheiro tenha efeitos que os consumidores considerem inflacionistas.

Por exemplo, há mais de uma década que o crescimento da massa monetária M3 está a crescer acima dos 10% nos EUA mas nem por isso se tem feito sentir esse efeito na carteira dos consumidores (com ou sem manipulação nos calculos do CPI) e isto deve-se a vários factores:

1) A "criação de riqueza" (na realidade ela não é criada mas sim transferida do fundo da cadeia para o topo da cadeia do dinheiro) fica restrita aos que estão mais perto da fonte do dinheiro. Se alguém se perguntou porque é que estamos em níveis históricos de diferenças entre ricos e pobres basta olharem para os bancos centrais. Neste caso quem está no topo da cadeia é quem está mais perto da criação do dinheiro - i.e. quem negoceia com sucesso obrigações de tesouro. Enquanto o dinheiro não descer pela cadeia não é notada a inflação.

2) Muito do dinheiro criado está nas mãos de estrangeiros como os Sauditas. Este dinheiro não entra na economia de produtos básicos (normalmente é usado para especular ou para guardar em titulos de tesouro) e portanto não cria expectativas inflacionistas.

3) Houve desde o inicio dos anos 90 um enorme boom de produtividade. Isto significa que há mais dinheiro a circular mas também há mais produtos onde este pode ser gasto contendo assim a pressão inflacionsta. A globalização permitiu conter em muito estas expectativas até pela baixa de custos na produção de alguns produtos (e.g. tecnologia).

4) Nos ultimos anos a inflação esteve contida em pequenos sectores em que os consumidores até acham benéficos como os índices accionistas (welcome to 2000) e o mercado imobiliário (uma casa para todos, até para quem não tem ordenado). Apenas agora se vê o dinheiro a sair desses sectores e a espalhar-se por áreas menos agradáveis como o petróleo, trigo, açucar e todo o tipo de bens que as pessoas realmente precisam (e que normalmente não servem de colateral para empréstimos icon_razz.gif)

É acima de tudo perceber que a riqueza é criada por quem trabalha e produz. Imprimir notas não é solução de riqueza, crescimentos do PIB a 3% não são nada quando são medidos em dolares que foram imprimidos a uma taxa de 5% (na realidade quer dizer que houve um crescimento do PIB negativo). Mas claro, com a remoção de qualquer medida objectiva de riqueza é fácil manipular os números.

Imagina um engenheiro que construísse estradas e fosse forçado a trabalhar com uma unidade de medida como o dolar (flutuante). Um dia um metro era 90cm no outro 50cm e no seguinte 70cm ... no final de contas quantos metros tem a estrada? No final de contas com o PIB sempre a crescer porque é que não o sentimos nas nossas carteiras?

Fica o gráfico do FMI... o mundo é um mar de rosas não é?



Continuo a manter que apesar de ser detestável é a solução preferida pelos banqueiros centrais de todo o mundo. Isto porque a inflação é a melhor maneira de se sair da divida (afinal de contas se o dinheiro vale menos é mais fácil pagar o que devemos) e principalmente porque eles temem muito mais uma depressão deflacionista (como 1929) do que uma inflacionista. Para quem vive ordenado a ordenado pouco interessa, de uma forma ou de outra o sofrimento com ajustamento à nova realidade será doloroso (demasiado para alguns).

No limite a FED desejaria criar tanto dinheiro quanto necessário para que o preço das casas medidos em dolares ficasse na mesma como estava em 2006 ou que o preço das acções se mantivesse como estava. Mas o problema é que a FED cria esse dinheiro mas normalmente não o aplica, quando o dinheiro chega às mãos dos investidores eles tanto podem comprar casas como petróleo e não é bem isso que a FED pretende... mas com os novos passos em que o dinheiro criado pode ser utilizado para nacionalizar empresas sem perguntar nada aos accionistar torna-se mais fácil controlar onde vai parar o novo dinheiro.

Muito para pensar...

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