sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Comentário ao editorial do i

O jornal i tem hoje uma edição dedicada ao buraco orçamental. Começa com o editorial e tem depois, nas páginas mais centrais um aprofundamento do assunto. Infelizmente o editorial começa logo mal com uma frase errada "Os estados não vão à falência".

Eu espero que esta afirmação seja corrigida brevemente. O site da Moodys tem 12 falências soberanas entre 1998 e 2006:

1) Paquistão (98)
2) Russia (98)
3) Ucrania (98 e 2001)
4) Venezuela (98)
5) Equador (99)
6) Peru (2000)
7) Argentina (01)
8) Moldávia (01)
9) Uruguai (03)
10) Republica Dominicana (05)
11) Belize (06)

São países que se calhar passam desperbidos mas continuam a ser estados e continuaram a falir. Ainda há 1 ano a Islândia esteve nas noticias e não sei como é possível esquecer tão cedo. Muitos outros nomes há a acrescentar à lista que dei se recuarmos mais uns anos no tempo (a Argentina tem a mania de declarar falência ciclicamente por exemplo) mas infelizmente não tenho tempo suficiente para uma lista mais exaustiva.

E se o argumento é que "não pode acontecer aqui" em 1971 os EUA também entraram em incumprimento com as suas obrigações (o que levou à criação do actual sistema monetário)... quer-me parecer que pode mesmo acontecer em qualquer lado.

Mas mais importante que isto, é que passando uma mensagem de que "os Estados não vão à falência" então os portugueses não percebem qual é o problema com o défice e irão manter-se na ilusão que o Estado é uma fábrica de riqueza. Afinal de contas, quando faltarem as notas manda-se fazer mais.

Nota: Segundo a Standard & Poors houve 84 estados em incumprimento das suas obrigações entre 1975 e 2002.

4 comentários:

alexdg disse...

E se o argumento é que "não pode acontecer aqui" em 1971 os EUA também entraram em incumprimento com as suas obrigações (o que levou à criação do actual sistema monetário)... quer-me parecer que pode mesmo acontecer em qualquer lado.

Por essa lógica, entram em incumprimento do FDR quando ele alterou o cambio USD vs Gold. Depois em 71 repetiram novamente que promveu a moeda Fiat e acabando com o Gold standard. Agora estão a faze-lo novamente, lentamente (ou talvez não!) com o Quantitative Easing. Alias, a Grã-Bretanha também faz QE.

A lista também é oportuna, pois alguns desses países que faliram à 10 anos atrás estão novamente a emitir divida pública, é caso da Russia. Mais interessante é Angola, que tem um défice orçamental na casa dos 20% e terá que recorrer a uma emissão internacional de dívida. Será intressante ver com que rating e taxas.

Nuno Branco disse...

O caso do FDR é diferente visto que optou por desvalorizar a moeda (o que também é perverso para os credores) o que é ligeiramente diferente de pura e simplesmente se recusar a pagar como fez em 71. Em ambos os casos os credores ficam prejudicados mas num mais do que outro.

Nuno Branco disse...

Só para notar que na minha opinião FDR foi o pior presidente dos EUA no século XX, provavelmente de toda a história daquela nação.

alexdg disse...

Nem mesmo a calhar, circula o rumor que a Ukrania pode estar à beira de um default. Ainda nestes dias houve algum zumzum criado pcausa de um default a uma emissão de divida não colaterizada pelo Estado da empresa de caminhos de ferro nacionais:

http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601085&sid=aPBmeyBQzwyU

A verdade é que o spread nos CDS da divida publica da Ucrania dispararam. Pelos vistos há uma verba de 4 a 5B$ do FMI que estão retidos por desavenças com o governo local dado que em vez de realizarem cortes, consta que ainda recentemente decidiram estipular um aumento de 20% aos salários da função publica (e/ou salário minimo?).